Título: TROCA DE TÍTULOS NO EXTERIOR TEVE UMA DAS TAXAS MAIS BAIXAS DA HISTÓRIA
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 03/08/2006, Economia, p. 29
Apesar de turbulências, estrangeiros exigiram `spread¿ de 205 pontos
BRASÍLIA. Mesmo diante das turbulências no mercado financeiro em função da economia americana, os investidores não estão exigindo juros mais altos do Brasil nas operações com títulos da dívida externa. O secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, confirmou que a operação de troca de papéis, que começou na semana passada e foi encerrada ontem, ocorreu com spread de 205 pontos. Isso significa que, para aceitarem um título brasileiro, os aplicadores exigiram que o Tesouro pagasse 2,05 pontos percentuais acima dos juros pagos pelo governo americano num título de 30 anos. A taxa é uma das mais baixas no histórico dos títulos da dívida externa.
A operação de troca prevê a substituição de papéis emitidos em dólares (Global) com vencimento em 2020, 2024, 2027 e 2030 ¿ num total de US$1,5 bilhão ¿ por papéis que só vencem em 2037. O Global 2037 foi lançado pelo Tesouro em janeiro deste ano com um spread de 295 pontos. Já em março, ele voltou a ser ofertado e a emissão teve spread de 204 pontos.
`Spread¿ chegou a ficar acima de 700 pontos
Segundo técnicos do governo, as taxas exigidas pelos investidores estrangeiros vêm caindo gradativamente. Em 2002, quando havia muita incerteza no mercado devido às eleições presidenciais, os spreads exigidos eram de mais de 700 pontos. No entanto, os esforços do Brasil em reduzir sua vulnerabilidade externa, com a adoção de medidas como a redução da dívida externa e o pagamento antecipado ao Fundo Monetário Internacional (FMI), melhoraram a percepção em relação ao país.
A operação de troca deve ajudar o Tesouro a tirar do mercado papéis que hoje distorcem a curva de juros do endividamento e obrigam o Brasil a pagar mais na emissão de novos títulos no exterior. Os papéis Global 2020, por exemplo, têm juros de 12,75% ao ano. Já o Global 2037 tem taxa de 7,1% ao ano. Por isso, se o Tesouro conseguir trocar US$1 bilhão, economizará US$50 milhões por ano. Os detalhes da troca serão divulgados hoje.
O secretário foi ontem à Câmara dos Deputados para apresentar aos parlamentares dados sobre a política fiscal do primeiro quadrimestre do ano. No entanto, a audiência foi encerrada por falta de quórum.