Título: Inflação pela Fipe subiu para 0,21% em julho. Indústria deve reajustar
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 04/08/2006, Economia, p. 26
Produtos industrializados vão pressionar o IPC até o fim deste ano
SÃO PAULO. Depois de três meses em queda livre, os preços dos produtos industrializados devem reagir e puxar a inflação neste segundo semestre em São Paulo. A previsão inicial da Fipe é que esses preços fechem agosto com aumento de 0,10 ponto percentual, contribuindo, junto com alimentos e combustíveis, para a variação estimada de 0,20% para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) no mês. Em julho, o IPC subiu 0,21%. Foi a segunda maior inflação no ano ¿ só perde para o 0,50% de janeiro ¿ e veio na seqüência das quedas de 0,22% em maio e 0,31% em junho.
A projeção da Fipe para este mês reforça a tendência já apontada pela última Sondagem Conjuntural da Indústria de Transformação, da FGV. Das 935 empresas consultadas, 34% disseram que pretendem reajustar seus preços nos próximos três meses ¿ índice que superou com folga os 27% da pesquisa de julho de 2005 e os 28% de abril passado.
¿ Essa será a novidade neste segundo semestre ¿ afirmou ontem o coordenador do IPC, Paulo Picchetti.
Sem choques, inflação deve fechar o ano em 2,5%
A perspectiva de reação dos preços industrializados, segundo Picchetti, está ligada ao aquecimento do mercado interno, que abrirá caminho para que os empresários recuperem parte da rentabilidade perdida nos últimos meses. As empresas também afirmam que precisam se preparar para nova rodada de aumento de matérias-primas e produtos intermediários. A Braskem, líder no setor petroquímico, anunciou ontem reajuste de até 12% para itens como resinas.
¿ Uma comparação entre a variação mensal do IPC e os resultados da sondagem conjuntural mostram grande relação. Eles oscilam juntos ¿ afirmou Picchetti.
O que mais pesou no cálculo do IPC da Fipe no mês passado foram os preços dos grupos transporte e alimentação. Ambos tiveram uma contribuição de 0,07 ponto percentual para a alta final do índice (0,21%).
A variação do grupo transporte foi influenciada pelo preço do álcool combustível, que subiu 4,58% em julho. O consumidor também sentiu impacto no preço da gasolina, que tem adição do álcool anidro em sua mistura. Depois de cinco semanas em queda, o litro do produto aumentou 1,2% na última quadrissemana do mês passado.
A possibilidade de aumentos abruptos do preço do combustível ou das cotações do dólar são os únicos fatores que poderiam levar a Fipe a rever sua previsão de 2,5% para a inflação este ano. Picchetti diz que nem a maior pressão dos industrializados teria força para mudar esse quadro. O IPC acumulado de janeiro a julho ficou em 0,31% e nos últimos 12 meses, em 1,77%.
¿ Não existe nada no horizonte que possa criar uma sensação de descontrole dos preços ¿ afirmou Picchetti.