Título: GOVERNO PAGARÁ US$253 MILHÕES PARA ALONGAR DÍVIDA
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 04/08/2006, Economia, p. 28
Recursos vão compensar investidores por troca de papéis com vencimento em 2037
BRASÍLIA. Para conseguir alongar a dívida externa e melhorar seu perfil, o governo pagará US$253,5 milhões aos investidores internacionais. Esses recursos, que sairão das reservas do país, servirão para compensar os aplicadores que concordaram em trocar títulos emitidos em dólares (Global) com vencimento em 2020, 2024, 2027 e 2030, que valem mais no mercado, por papéis com vencimento em 2037.
O Global 2030, por exemplo, vem sendo negociado por 157,68% de seu valor de face, enquanto paga a seus detentores juros semestrais de 12,25% ao ano. Já o Global 2037 é negociado por apenas 99,68% de seu valor de face e oferece um cupom semestral bem menor: 7,125% ao ano.
O Tesouro pretendia trocar até US$1,5 bilhão em títulos, mas a operação, realizada entre 27 de julho e 2 de agosto pelo Citigroup e o Deutsche Bank, só chegou a um total de US$500,3 milhões. De acordo com a economista-chefe do BES Investimentos, Sandra Utsumi, o resultado mostrou que os investidores ainda preferem manter papéis de prazos mais curtos com juros elevados.
Mesmo assim, a economista ressaltou que a operação terá resultados positivos para o Brasil no futuro.
¿ O governo está pagando para fazer essa troca de títulos, mas isso vai melhorar a dívida e contribuir para a melhora da classificação de risco de crédito do país. É um sacrifício agora para colher lá na frente ¿ afirmou Sandra Utsumi.
Como o secretário do Tesouro Nacional, Carlos Kawall, já havia confirmado, o spread da operação foi de 205 pontos centesimais. Isso significa que, para aceitarem um título brasileiro, os aplicadores exigiram que o Tesouro pagasse 2,05 pontos percentuais acima dos juros pagos pelo governo americano em um título com vencimento em 2031. Com a nova troca, o estoque de Global 2037 agora é de cerca de US$2 bilhões.
O spread foi um dos mais baixos no histórico dos títulos da dívida externa. O Global 2037 foi lançado pelo Tesouro em janeiro deste ano, com um spread de 295 pontos. Já em março, o papel voltou a ser ofertado aos investidores e a emissão teve spread de 204 pontos. Em 2002, quando havia muitas incertezas no mercado externo por causa das eleições presidenciais no Brasil, os spreads chegaram a ultrapassar os 700 pontos centesimais.