Título: BOLSA COMEÇA A RECUPERAR INVESTIDOR ESTRANGEIRO
Autor: Patricia Eloy
Fonte: O Globo, 04/08/2006, Economia, p. 28
Saldo externo, que ficara negativo em R$2,26 bilhões em junho, fechou julho no vermelho em R$654,9 milhões
RIO, LONDRES e FRANKFURT. O mercado de ações brasileiro teve em julho uma recuperação na procura de investidores estrangeiros, segundo dados divulgados ontem pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). Após as pesadas vendas de ações verificadas nos últimos meses ¿ diante dos temores de que os juros poderiam subir mais rapidamente nos Estados Unidos, levando a um desaquecimento global ¿, o saldo de investimento externo ficou negativo em R$654,9 milhões no mês passado, informou ontem a Bolsa. As compras somaram R$11,64 bilhões e as vendas, R$12,29 bilhões. Em junho, o fluxo de estrangeiros havia ficado negativo em R$2,26 bilhões. No acumulado do ano até julho, o saldo está no vermelho em R$1,205 bilhão.
Ontem, os mercados financeiros internacionais foram pegos de surpresa pelo Banco da Inglaterra, que elevou sua taxa pela primeira vez em dois anos. A bolsa inglesa recuou 1,57%, levando mau humor aos demais mercados. O risco-Brasil chegou a subir quase 3% e o dólar avançou 0,5%, com especulações de que a alta de juros global poderia reduzir o fluxo de recursos para países em desenvolvimento, como o Brasil.
Risco-Brasil subiu 0,91%, para 221 pontos centesimais
Além disso, o Banco Central Europeu ¿ que ontem elevou sua taxa em 0,25 ponto percentual, para 3% ao ano, maior nível em sete anos ¿ sinalizou que novas altas de juros podem acontecer este ano. Taxas mais elevadas em economias desenvolvidas (consideradas de menor risco) reduzem a atratividade da aplicação em ativos de países emergentes, vistos como mais arriscados.
Após uma manhã agitada, os indicadores brasileiros conseguiram se recuperar no fim do dia de ontem. O dólar fechou em queda de 0,18%, cotado a R$2,178 para venda, e o risco-Brasil subiu 0,91%, para 221 pontos centesimais. O Global 40, título brasileiro mais negociado no exterior, avançou 0,23%, cotado a 128,75% do valor de face. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) encerrou o pregão em alta de 0,44%. Investidores ¿ especialmente os estrangeiros ¿ ainda aproveitavam a queda nos preços das ações brasileiras nas últimas semanas para comprar os papéis a um valor mais baixo na Bolsa. O volume de negócios ficou em R$1,93 bilhão, acima da média diária de negócios do mês passado, que ficou em R$1,75 bilhão.
Mercado aguarda decisão do banco central dos EUA
Na Grã-Bretanha, que subiu sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, para 4,75% ao ano, por preocupações com a inflação, a reação foi brusca: as taxas de juros futuras tiveram a maior oscilação num único dia desde o ataque terrorista a Londres, no ano passado.
Segundo Marcos Forgione, gerente de câmbio da corretora Souza Barros, o mercado agora está na expectativa da decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) sobre a taxa de juros, em reunião que acontece na próxima terça-feira. Os juros estão em 5,25% ao ano e os investidores esperam pelo menos mais um aumento de 0,25 ponto percentual:
¿ No entanto, se a taxa ultrapassar os 6% ao ano, pode haver uma forte perda nos mercados, consolidando o clima negativo verificado em junho e em boa parte de julho.
Hoje, os mercados estarão atentos à divulgação, pelo Departamento do Trabalho dos EUA, do número de vagas criadas em julho, que dá a medida do ritmo de atividade no país e pode sinalizar se haverá ou não novos aumentos de juros.
(*) Com agências internacionais