Título: VARIG MOSTRA PLANO DE VÔO A JUIZ, QUE VETA BLOQUEIO
Autor: Erica Ribeiro e Geralda Doca
Fonte: O Globo, 04/08/2006, Economia, p. 29
Pagamento de US$75 milhões feito pela VarigLog terá de ser usado em investimentos, não para pagar rescisões
BRASÍLIA e RIO. Os advogados da VarigLog entregaram ontem ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça (TJ) do Rio, o planejamento da nova malha aérea a ser adotada pela Varig em três etapas. A malha prevê operações nas principais capitais do país, além de vôos internacionais para Buenos Aires, Frankfurt e Caracas, por exemplo. Ontem mesmo, Ayoub derrubou a liminar concedida pela 33ª Vara do Trabalho do Rio que bloqueava US$75 milhões da Varig para pagamento de salários atrasados e verbas rescisórias dos 5.500 funcionários demitidos.
O dinheiro foi depositado pela VarigLog após o leilão de compra da Varig, para financiar investimentos da companhia. Ayoub explicou que os US$75 milhões devem ser usados para manutenção das atividades e aproveitamento do maior número possível de funcionários na Nova Varig, e não na empresa antiga. Segundo o juiz, cabe à 8ª Vara tomar decisões relativas à recuperação da Varig, como determinou o Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A nova malha será detalhada hoje pela VarigLog. A versão do plano da Nova Varig a que o governo teve acesso prevê a retomada das operações em três etapas, começando este ano e com prazo final em 2008. Assim que a concessão de transporte aéreo regular for concedida pela Agência Nacional de Aviação (Anac), a companhia ¿ rebatizada de VRG Linhas Aéreas S.A ¿ começaria atendendo sete cidades brasileiras e duas no exterior (Buenos Aires e Frankfurt). Uma segunda fase estenderia o atendimento a 23 destinos domésticos e 11 internacionais. Daqui a dois anos, a Varig retornaria ao tamanho de março, antes do agravamento da crise, voando para 20 cidades no mundo e 37 no Brasil. Nesse período, voltaria a operar partindo do Aeroporto Internacional Tom Jobim.
¿ Não vi todo o documento, mas a proposta já está nos autos. Não tomei nenhuma decisão porque poderá haver discussão judicial ¿ disse Ayoub, acrescentando que a decisão está com a Anac.
De acordo com fontes do mercado e governo que acompanham as negociações, a malha proposta pode não passar pela Anac, porque, na prática, haveria a prorrogação do plano de emergência por dois anos. A dúvida é como segurar slots (espaços nos aeroportos movimentados e horários de vôo), balcões de check-in e hangares sem ter a garantia da recuperação até 2008.
O plano de negócios prevê que a primeira fase é forte nas operações da ponte aérea Rio-São Paulo. O mercado externo seria ainda servido em code-share com o grupo de empresas da Star Alliance.
Em 2008, a VRG pretende ter uma frota de 75 aviões e empregar 7.500 funcionários.
O presidente do Conselho de Administração da VarigLog, Marco Antônio Audi, disse ontem que a empresa vai depositar mais US$75 milhões nos próximos dias, e que até o fim do ano a Nova Varig terá 45 aviões e mais de cinco mil empregados. Hoje, segundo ele, a empresa tem 12 aeronaves ¿ eram duas quando foi feito o leilão, dia 20 ¿ e negociações têm sido feitas com empresas de leasing. É a partir da negociação para a entrada de novos aviões na frota, inclusive com opção de compra, que a empresa terá condições de contratar mais funcionários da antiga Varig. Em média, para cada avião são necessários de 110 a 120 empregados.
¿ Hoje posso dizer que temos uma empresa aérea na mão. É importante dizer isso ao público. Voltem a voar na Varig, porque ela hoje é uma empresa aérea ¿ afirmou Audi.
Ele não descarta a composição da frota, hoje formada somente por aeronaves Boeing, com outros aviões, que poderão ser da brasileira Embraer ou da européia Airbus. A homologação da licença da Aéreo Linhas Aéreas, subsidiária da VarigLog que deterá os ativos adquiridos no leilão, deve sair até 25 de agosto, afirmou Audi.
As empresas aéreas interessadas nos espaços de check-in da Varig reúnem-se hoje com o presidente da Infraero, brigadeiro José Carlos Pereira.