Título: SAULO MOBILIZA 600 POLICIAIS PARA `ATO CÍVICO¿
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 08/08/2006, O País, p. 3

Solenidade de entrega de viaturas no momento dos ataques abre guerra contra governo federal

SÃO PAULO. Logo após os novos ataques da facção criminosa, pela manhã, o governo de São Paulo tomou duas medidas políticas: abriu guerra com o governo federal e montou uma solenidade no Estádio do Pacaembu, área nobre da capital, mobilizando 600 policiais por mais de duas horas. O evento foi simbólico da ¿guerra¿ com a União. Mais de 400 viaturas foram usadas para desenhar o mapa do estado e foi ouvido o Hino de São Paulo, tocado à exaustão pela banda da PM, que não tocou o Hino Nacional.

O governador, Cláudio Lembo (PFL), afirmou que o governo federal, até agora, só ofereceu palavras a São Paulo. Os R$100 milhões anunciados no mês passado teriam ficado na promessa. Mas os ataques mais duros partiram do organizador do ¿ato cívico¿, como Lembo chamou a solenidade de entrega de 433 novas viaturas à polícia. Questionado sobre o ato no momento dos ataques, Lembo disse:

¿ São Paulo sempre foi maior. Os atos cívicos são importantes nesses momentos também.

O secretário de Segurança, Saulo de Castro Abreu Filho, repetiu várias vezes que está cansado de ouvir do governo que ¿São Paulo tem empáfia¿, ou ¿a soberba paulista¿. Insinuou que petistas podem estar por trás dos ataques. E disse que só aceitará o Exército no estado se forem 4.500 homens ¿ o triplo do ofertado ¿ e só para ocupações de favelas e prisões.

¿ Acho que alguns ataques têm ligação com as eleições. Eu estaria sendo leviano e não dá para afirmar quais. Nos outros, já afirmamos com todas as letras, inclusive quem está envolvido e tal, como o pessoal da máfia dos perueiros, que tem o ex-secretário (Tatto, do PT) ¿ disse Saulo.

O presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, rebateu:

¿ Trata-se de desespero do secretário. Ele sabe que é o próprio patrono da facção criminosa por casa sua incompetência. Ele deveria entregar o boné (cargo).

O alvo maior foi o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, que anunciou, domingo, que liberaria R$1 milhão para ajudar com advogados na revisão de processos de presos cujas penas podem estar vencidas.

¿ Esse raro recurso, esse R$1 milhão, irá para alguma ONG amiga¿ disse Castro em seu discurso.

Para os jornalistas, disse que os R$100 milhões que a União liberou para São Paulo serão repassados apenas em 2007, pelo próximo presidente. E fez um desafio a Bastos:

¿ O secretário de Segurança de São Paulo está dizendo que o ministro da Justiça faltou com a verdade quando disse que os R$100 milhões vinham. Não vieram e não virão. Assim como o R$1 milhão. Mas se ele fizer acontecer, eu me calo e entrego o cargo. Se não fizer, ele então entrega o cargo.

COLABOROU: Tatiana Farah