Título: PROCURADOR-GERAL: `O ATAQUE É UMA REAÇÃO ÀS INICIATIVAS DOS PROMOTORES¿
Autor: Tatiana Farah
Fonte: O Globo, 08/08/2006, O País, p. 4
Rodrigo Pinho diz que facção criminosa emprega métodos de terrorismo
SÃO PAULO. O prédio do Ministério Público estadual de São Paulo foi atingido por uma bomba caseira, recheada de parafusos, que destruiu os vidros das portas e janelas, o forro do saguão, o detector de metais e até a blindagem da entrada do edifício. Janelas de vidro de prédios vizinhos também foram atingidos. O ataque ocorreu às 5h10m e, embora a PM tenha informado que a segurança foi reforçada com os avisos dos ataques, havia apenas um segurança no momento do atentado. O saguão tem duas câmeras filmadoras, mas não se sabe se elas registraram o ataque.
De acordo com o procurador-geral de Justiça do estado, Rodrigo Pinho, o ataque foi uma reação da facção criminosa contra medidas do MP, entre elas o anúncio de um promotor de que negaria o indulto do Dia dos Pais a cerca de 900 presos da capital. No entanto, o parecer dos promotores sobre o indulto ainda será apreciado pela Justiça.
MP quer medidas mais rigorosas contra criminosos
Além disso, na semana passada, o MP confiscou R$162 mil de uma conta bancária atribuída à facção criminosa. O dinheiro será usado para indenizar a família de um bombeiro morto nos ataques de maio. Na sexta-feira passada, a promotoria fez uma audiência por videoconferência com o chefe da facção, Marcos Camacho, o Marcola. Ele será responsabilizado como mandante do crime contra o bombeiro. A medida abre precedente para que ele seja responsabilizado por todas as mortes causadas pelos ataques em maio, a maioria de policiais.
¿ O ataque é uma reação às iniciativas dos promotores de Justiça de combater a facção ¿ disse o procurador-geral.
O Ministério Público encaminhou ao Congresso um conjunto de medidas de endurecimento do combate ao crime organizado, entre elas a ampliação do prazo de RDD (Regime de Detenção Diferenciada), que isola o preso de alta periculosidade.
¿ Devemos tratar como uma organização criminosa que emprega métodos de terrorismo ¿ disse Pinho.
O procurador-geral disse que, na madrugada do ataque ao MP um policial havia feito ronda diante do prédio pouco antes do disparo da bomba. Com a denúncia de que a segurança do MP não havia sido reforçada, o secretário de Segurança Pública, Saulo Abreu Filho, disse que poderá abrir uma sindicância administrativa para apurar o fato.
O secretário disse ainda que advogados que tiveram acesso a processos de líderes da facção notaram que um ¿salve¿, aviso ou ordem dos presos paulistas para que os ataques ocorressem às 9h do dia 13 próximo, foi identificado nas escutas policiais em presídios. A facção teria decidido antecipar os ataques.
Outra hipótese é a de que alguns membros da facção tenham reagido contra a prisão de um dos chefes no domingo em Praia Grande, no litoral.