Título: FMI: instabilidade na AL reflete choques internos
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 09/08/2006, Economia, p. 27

WASHINGTON. Os choques externos contribuíram para a instabilidade macroeconômica na América Latina ao longo das últimas décadas. Mas o maior responsável por tAL situação foi o conjunto de políticas adotadas pelos governos da região. Esta é a conclusão a que chegou o diretor do Departamento do Hemisfério OcidentAL, do Fundo Monetário Internacional (FMI), Anoop Singh, depois de analisar a documentação disponível nos arquivos da entidade. Um recente estudo feito por técnicos do Fundo reforçou a constatação, segundo ele.

¿A pesquisa mostra que mais de 70% da volatilidade do crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) reAL per capita , na América Latina, devem-se a choques internos em cada país, incluindo os derivados de políticas macroeconômicas voláteis¿, escreve Singh na ¿IMF Survey¿, publicação interna do Fundo, distribuída ontem.

Segundo ele, as políticas monetária e cambiAL tiveram ¿a propensão de ampliar, em vez de amortecer, o ciclo¿ de volatilidade na região. Singh acrescenta outro fator: a pressão para financiar déficits orçamentários, que ¿forçou as autoridades monetárias a concederem acesso excessivamente fácil ao crédito do banco centrAL¿.

Estudo prega reformas para reduzir dívida pública

Singh afirmou que ¿a resultante indução inflacionária, junto com a tendência dos bancos centrais da região agirem pró-ciclicamente ¿ afrouxando durante a melhoria da situação e apertando diante de choques negativos ¿ deixou a região¿ inclinada à instabilidade.

O estudo conclui dizendo que a América Latina parece estar aprendendo. Mas lembra que é preciso manter uma agenda de reformas institucionais para reduzir a dívida pública e fortALecer o setor fiscAL.