Título: Varig dispensa prorrogar plano de emergência
Autor: Erica Ribeiro e Patrícia Duarte
Fonte: O Globo, 10/08/2006, Economia, p. 37
RIO, BRASÍLIA e SÃO PAULO. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) informou ontem no início da noite que recebeu documento da varig afirmando não haver mais necessidade de prorrogação do plano de emergência nos aeroportos, tendo em vista a normalização de suas operações. Os funcionários da Anac nos aeroportos continuarão fiscalizando normalmente as operações das empresas aéreas. Segundo a Anac, se a varig não cumprir o previsto e não atender aos passageiros, poderá ser punida.
A varig apresentou ontem ao juiz Luiz Roberto Ayoub, da 8 Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Rio e responsável pela recuperação judicial da empresa, a proposta de uma nova malha de vôos, a ser implementada a partir do próximo dia 25. A empresa aguarda a aprovação das autoridades para divulgá-la.
Mas a companhia pode perder vários de seus balcões nos aeroportos. A Infraero abriu ontem processo administrativo para tentar redistribuir, de forma emergencial, parte dos balcões de atendimento da varig em 12 aeroportos, explicou o diretor de Operações da estatal, Rogério Barzellay.
¿ Estamos trabalhando com solução emergencial, provisória e em caráter precário. A redistribuição valerá para todas as empresas, e não só a varig ¿ disse Barzellay, acrescentando que o projeto deve começar a sair do papel amanhã, em reunião com todas as companhias aéreas brasileiras.
A proposta, explicou ele, será encaminhada hoje ao juiz Ayoub. A empresa não aceita redistribuir seus balcões, alegando que o contrato assinado com a Infraero lhe garante a concessão por alguns anos. Mas, segundo Barzellay, há uma cláusula que permite revisão no caso de diminuição do número de passageiros atendidos, caso hoje da varig.
Polícia e Anac abrem inquérito sobre avião da TAM
O diretor citou como exemplo o fato de a varig ter, no Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP), 54 dos 260 balcões disponíveis, mas não operar mais do que cinco vôos. A Infraero propõe também reavaliar a distribuição dos balcões a cada 15 dias. O critério a ser usado é a fatia de mercado que as empresas têm nos aeroportos incluídos no plano emergencial.
Mais tarde, a Infraero quer redistribuir os espaços em todos os 67 aeroportos no país, além de toda a estrutura aeroportuária, como hangares.
Nos aeroportos Tom Jobim, no Rio, e Congonhas, em São Paulo, os funcionários da Sata, empresa de serviços auxiliares, iniciaram ontem greve de 24 horas em protesto pelo atraso de salários e benefícios como vale-refeição e cestas básicas, informou a presidente do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Selma Balbino. A Sata é do Grupo FRBPar, braço financeiro da Fundação Ruben Berta (FRB), ex-controladora da varig. Ela faz os serviços de limpeza e movimentação de bagagens em aviões da varig e de companhias estrangeiras, como LanChile e Aerolineas Argentinas.
O gerente de Recursos Humanos da Sata, Carlos Henrique de Campos, afirmou, no entanto, que não houve alteração na rotina de trabalho e que poucos trabalhadores participaram da manifestação. Mas Selma, do sindicato, garantiu que cerca de 400 empregados da Sata deixaram de trabalhar somente no Tom Jobim. Campos disse que o salário de junho está sendo depositado e que os benefícios também serão pagos este mês.
Em São Paulo, a Polícia Civil abriu ontem inquérito por danos materiais e lesão corporal culposa para apurar a responsabilidade e as causas do acidente com um Fokker 100 da TAM, na terça-feira. A porta dianteira do avião caiu logo após a decolagem de Congonhas, atingindo um hipermercado.
Segundo a delegada titular do 6 Distrito Policial (Cambuci), Iraci Medeiros Texeira, o laudo do Instituto de Criminalística (IC) deve ficar pronto em 90 dias. A Anac também abriu uma investigação e pode chamar os passageiros para depor.
COLABOROU Rodrigo Ferreira, do Diário de S.Paulo