Título: Discussões sobre gás são prorrogadas
Autor: Ramona ordoñez
Fonte: O Globo, 12/08/2006, Economia, p. 41
Terminou ontem sem acordo a reunião entre os técnicos da Petrobras e os representantes da Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB, estatal petrolífera da Bolívia) para discutir alterações no contrato de fornecimento de gás natural para o Brasil, que incluía um reajuste extraordinário dos preços. Os representantes das empresas decidiram prorrogar por mais 60 dias as negociações antes de recorrerem a uma corte arbitral internacional. Essa era a quarta e última reunião prevista dentro do contrato de compra do gás, em caso de impasses. Foi marcado outro encontro, em 14 de setembro, na Bolívia, para retomar as negociações.
O preço atual de importação do gás é de US$ 3,96 por milhão de BTU (unidade térmica de medida britânica) mais US$ 1,70 do custo de transporte, na média. A Bolívia quer um reajuste para US$ 5, mas fontes já falaram em US$ 7,5.
¿O novo prazo permitirá que Petrobras e YPFB aprofundem, em conjunto, os esforços na busca de soluções mutuamente aceitáveis para o tema em discussão¿, disse a Petrobras em seu site.
Desde o início do processo de nacionalização das reservas de gás da Bolívia, em 1 de maio, a Petrobras vem se mostrando relutante em aceitar qualquer reajuste de preços, alegando que estes estão de acordo com aqueles cobrados no mercado internacional. O contrato atual, com vigência até 2019, prevê reajustes trimestrais com base em uma cesta internacional.
Em 10 de junho, a YPFB notificou à Petrobras que queria aumentar o preço do gás, fixando um prazo de 45 dias para chegar a um acordo. Em 13 de julho, a Petrobras informou oficialmente à estatal boliviana de que não havia necessidade de revisar o mecanismo de reajuste dos preços do gás.
A Bolívia vende ao Brasil cerca de 26 milhões de metros cúbicos de gás natural, a metade do consumo brasileiro.
Em La Paz, a YPFB disse em nota que um dos avanços obtidos pela comissão boliviana na reunião foi ¿coordenar a busca de alternativas para a revisão da cláusula de preços do contrato¿. ( Ramona Ordoñez, com agências internacionais )