Título: Petrobras tem o maior lucro da AL em 20 anos
Autor: Ramona ordoñez
Fonte: O Globo, 12/08/2006, Economia, p. 41
o aumento da produção interna de petróleo aliada ao maior volume de carga processada em suas refinarias (reduzindo as importações de derivados) fizeram com que a petrobras fechasse o primeiro semestre do ano com um lucro líquido de R$ 13,6 bilhões, 37% maior do que os R$ 9,95 bilhões em igual período do ano passado. No segundo trimestre o lucro foi de R$ 6,9 bilhões, 42% superior aos R$ 4,8 bilhões de 2005. Segundo a empresa de consultoria Economática, o ganho este ano é o maior das empresas de capital aberto latino-americanas nos últimos 20 anos.
o diretor financeiro da petrobras, Almir Barbassa, destacou que a produção nacional de petróleo totalizou 1,75 milhão de barris por dia, 7% maior em comparação ao 1,63 milhão de barris em igual período no ano passado. A produção poderia ter sido maior caso não tivesse ocorrido um número grande de paradas programadas de plataformas para manutenção. Essas paradas representaram uma redução na produção de 34 mil barris diários.
A carga processada nas refinarias cresceu 7%, passando a 1,8 milhão de barris por dia, contra 1,68 milhão de barris diários no primeiro semestre do ano passado. o diretor destacou que as refinarias atingiram a capacidade de processamento de 91%, contra 85% no ano passado. Isso contribuiu para o lucro, uma vez que representou menores gastos com importação de derivados que têm cotações maiores do que o petróleo.
¿ Atingimos um nível excepcional de utilização da capacidade instalada nas refinarias, o que foi importante para o lucro do semestre, além de um menor crescimento dos custos ¿ disse Barbassa.
Entre custos que foram reduzidos e influenciaram positivamente os resultados, o diretor destacou a queda de 7,3% nos custos de extração de petróleo. Eles passaram de US$ 14,56 por barril para US$ 13,50 neste ano. Segundo o diretor, essa redução se deve, entre outros fatores, ao aumento da produção interna de petróleo e à apreciação do real frente ao dólar.
o consumo de derivados no primeiro semestre cresceu apenas 2%, passando de 1,62 milhão no ano passado para 1,66 milhão de barris por dia.
Preços dos derivados estão próximos aos internacionais
Apesar de não reajustar os preços da gasolina e do óleo diesel desde setembro do ano passado, os preços de venda dos derivados da petrobras no mercado interno ficaram próximos aos do mercado internacional. No segundo trimestre do ano, o preço médio de venda da petrobras foi de US$ 70,70 por barril, enquanto o petróleo do tipo Brent foi cotado no período a US$ 69,60 o barril. Já nos Estados Unidos o preço médio dos derivados foi de US$ 80. Barbassa afirmou que isso mostra que os preços da companhia estão alinhados com os do exterior. Nos Estados Unidos, nesta época do ano, os preços dos derivados ficam mais elevados, daí a maior diferença. A petrobras tem aumentado normalmente os preços dos demais derivados, com exceção de gasolina, diesel e GLP.