Título: PUNIDOS SE DIZEM INDIGNADOS
Autor: Isabel Braga
Fonte: O Globo, 24/08/2006, O País, p. 4

Laura Carneiro comemora manutenção do registro

Deputados punidos pelo Tribunal Regional Eleitoral pelo envolvimento com a máfia dos sanguessugas se disseram indignados com a decisão. Paulo Baltazar (PSB-RJ) afirmou que vai recorrer da impugnação, que considera ¿juridicamente absurda¿. Em nota distribuída ontem, ele disse que a decisão fere a Constituição. ¿Ninguém pode ser condenado baseado apenas em suspeitas. Acredito que o Tribunal Superior Eleitoral vai restabelecer o direito¿, afirmou.

O advogado do deputado Fernando Gonçalves (PTB-RJ), Ronaldo Francisco, afirmou que não existe prova contra seu cliente. Ele disse ainda que Gonçalves foi atacado em sua honra e dignidade e que não há qualquer anotação penal contra o deputado, apenas inquérito.

¿ Ele não teve o direito de se defender. A ficha dele é limpa, hoje está condenado pela imprensa. O depoimento de um réu confesso hoje virou verdade. Qual é a acusação, qual é a prova, meu Deus? ¿ afirmou.

O deputado Reinaldo Gripp (PL-RJ) não foi localizado para comentar a decisão. A deputada Elaine Costa (PTB-RJ) não retornou às ligações do GLOBO.

A deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), também envolvida no escândalo e poupada pelo TRE, aguarda agora decisão do partido sobre sua permanência, no próximo dia 29:

¿ Eu tinha absoluta confiança na Justiça. É a primeira batalha. Isso me causou muito desgaste, mas recebi manifestações de carinho e de solidariedade. Quando se é inocente, é possível passar por todas essas provações.

O ex-prefeito de Campos Arnaldo Vianna, cujo registro foi impugnado porque suas contas como prefeito foram rejeitadas, informou que vai recorrer ao TSE. Candidato a deputado federal pelo PDT, ele afirmou que nada muda em sua campanha:

¿ Estou indo para um comício agora, muito tranqüilo. Ainda vou ganhar votos com isso, porque o povo vai ficar revoltado porque sabe que isso é fruto de uma perseguição.

O antropólogo Luiz Eduardo Soares, candidato a deputado federal pelo PPS, também punido pelo rigor do TRE, afirmou que um erro de documentação levou à impugnação do seu registro. Luiz Eduardo disse que, como funcionário da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj), estava cedido à Assembléia Legislativa, onde trabalhou por seis meses. Ele, que vai recorrer da decisão, diz que deixou de exercer as funções no prazo legal, mas não comprovou o afastamento.

Luiz Eduardo lamentou que a decisão tenha sido tomada no mesmo dia em que foram punidos deputados envolvidos na máfia das ambulâncias. Apesar disso, elogiou a atuação do tribunal:

¿ O tribunal está corretíssimo, inclusive no meu caso. Mas lamento a coincidência de ter se dado no mesmo momento que a minha. É muito importante que o TRE seja rigoroso. O clima de desolação que tomou conta do eleitoral talvez comece a ser revertido com essa decisão ¿ afirmou.