Título: EVITAR ROMBOS
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 24/08/2006, Economia, p. 25

Os números divulgados ontem pelo Tesouro representam a economia que União, Previdência e Banco Central ¿ o governo central ¿ fizeram em julho para pagar juros da dívida pública, o chamado superávit primário. O esforço para guardar dinheiro em caixa e honrar compromissos é completado por estatais, estados e municípios, o que resulta no superávit primário consolidado do setor público, cuja meta para 2006 é de 4,25% do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto de riquezas geradas no país). Essa meta serve para equilibrar as contas públicas, evitando que as despesas disparem sem serem acompanhadas pela arrecadação de impostos ¿ o que leva os governos, em geral, a tirarem recursos de áreas vitais para o crescimento, como infra-estrutura, para fazer frente a despesas correntes e com pessoal ou se endividarem para cobrir o rombo no fim do mês. Além disso, a economia ajuda a reduzir a dívida como proporção do PIB ¿ indicador de solvência do país. Como impõe um freio no gasto público, o superávit contribui para conter os preços, devido à menor quantidade de dinheiro circulando. Os dois movimentos facilitam o corte da taxa básica de juros Selic. E os juros mais baixos impulsionam o PIB, trazendo mais empregos e aumento da renda.