Título: DÉFICIT DA PREVIDÊNCIA SOBE 8,8%, PARA R$3,4 BI
Autor: Martha Beck
Fonte: O Globo, 24/08/2006, Economia, p. 25
Alta da arrecadação não compensa aumento de 2,7% das despesas
Mesmo com recorde de arrecadação ¿ a contribuição dos trabalhadores na ativa somou o segundo maior valor da história ¿ o déficit da Previdência Social subiu 8,8% em julho frente ao mês anterior e fechou em R$3,4 bilhões. Isso ocorreu porque, embora as receitas tenham atingindo R$9,7 bilhões (alta de 0,7% em relação a junho), as despesas com benefícios cresceram mais: 2,7%. Isso levou ao desembolso de R$13,2 bilhões com aposentadorias e pensões. O mesmo tipo de comportamento é observado na comparação entre julho de 2006 e 2005, quando houve expansão real (já descontada a inflação) de 8,3% do déficit nas contas do INSS. A arrecadação subiu 11,7% em relação à do ano passado, mas o pagamento de benefícios cresceu 10,7%. De acordo com o secretário de Políticas de Previdência Social, Helmut Schwarzer, a despesa com benefícios subiu porque os funcionários da Dataprev paralisaram em junho seus trabalhos. - Isso pode ter gerado uma diminuição no fluxo de concessões em junho, e, conseqüentemente, um aumento de concessões em julho - explicou o secretário. O maior impacto positivo sobre a arrecadação do INSS veio da recuperação de créditos judiciais - quando devedores depositam seus débitos. Essa conta recebeu R$603,8 milhões em julho, alta de 23,5% sobre os R$489 milhões recolhidos no mês anterior. Dos 21,3 milhões de benefícios pagos aos segurados do INSS, 14 milhões foram destinados à área urbana e 7,2 milhões, à área rural. Em julho, 16,3 milhões (67,7%) dos benefícios pagos tiveram o valor de até um salário mínimo.