Título: PF PRENDE 67 POR DESVIO DE DINHEIRO NA INTERNET
Autor: Raimundo Garrone
Fonte: O Globo, 24/08/2006, Economia, p. 27

Quadrilha, do Maranhão, é acusada de mandar e-mails falsos para capturar senhas de correntistas de vários bancos

A Operação Galáticos da Polícia Federal (PF) prendeu ontem, no Maranhão, 67 pessoas acusadas de desviar dinheiro de contas bancárias através da internet. A maioria dos presos são estudantes universitários de classe média alta do município de Imperatriz, onde 51 pessoas foram presas. Passando e-mails com mensagens falsas, principalmente da Receita Federal e da Serasa, os criminosos capturavam senhas bancárias de correntistas de vários bancos, em especial da Caixa Econômica Federal.

Os hackers também instalavam um programa do tipo ¿espião¿ por meio de sites de relacionamento como o Orkut, onde as vítimas recebiam mensagens com links falsos. De posse dos dados bancários, os criminosos realizavam transferências para contas de "laranjas", faziam compras na internet, pagavam boletos bancários e recarregavam celulares pré-pagos.

Também estão envolvidas no esquema 15 empresas de Imperatriz, entre médias e grandes. Elas recebiam parte dos valores desviados, por meio da emissão de boletos bancários fraudulentos e de sistemas de pagamento online. A PF não divulgou o nome dessas empresas e nenhum empresário foi preso ontem.

- Estamos investigando, porque, às vezes, é um gerente que faz parte do esquema, e não o empresário - disse Gustavo Ferraz Gominho, superintendente da Polícia Federal no Maranhão.

Estudante tinha 4 carros de luxo, de acordo com a PF

Segundo a PF, o esquema era utilizado por várias quadrilhas, que foram classificadas como células. Uma delas era chefiada pela estudante Thaise Araújo Ribeiro, 21 anos, de família de classe média, mas que possuía quatro carros de luxo, comprados com dinheiro do golpe.

As células se aproveitavam de pessoas desavisadas, que ¿emprestavam¿ suas contas bancárias em troca de alguma remuneração. Foi o caso de Maria da Penha Santos de Souza, 49 anos, dona-de-casa do bairro Vilinha, em Imperatriz. Ela disse que recebeu R$150 apenas para ¿emprestar¿ a sua conta bancária, sem desconfiar do que se tratava.

- Eles me pediram a conta para receber um dinheiro e me ofereceram R$150. Eu aceitei - afirmou.

A Polícia Federal ainda não sabe o montante que foi desviado pelos golpistas.

- Vamos investigar caso a caso, para depois estimar quanto foi roubado - disse o delegado Gominho.

A ação da polícia contou com a participação de 400 policiais federais de Maranhão, Alagoas, Ceará, Paraíba, Rio Grande do Norte, Piauí, Tocantins, Pará e Pernambuco, e com o apoio logístico e operacional do Exército e de três aviões Hércules da Força Aérea Brasileira, que sobrevoaram a cidade de Imperatriz durante toda a operação.

A PF disse que a operação vai continuar até serem cumpridos os 70 mandados de prisão expedidos pela Justiça. Ontem também foram apreendidos documentos, computadores e diversos carros de luxo usados pelos integrantes da quadrilha.

Investigações começaram em dezembro de 2004

Os presos foram transferidos para a sede da Polícia Federal em Augustinópolis, no Tocantins, devido à superlotação das celas em Imperatriz. Eles serão indiciados pelos crimes de furto mediante fraude, formação de quadrilha, violação de sigilo bancário, interceptação ilegal de dados e lavagem de dinheiro.

As investigações começaram em dezembro de 2004. A operação foi batizada de Galáticos porque os investigados se auto-intitulavam as "estrelas" da cidade (em referência aos jogadores do time de futebol Real Madri, da Espanha) e acreditavam que o crime jamais seria descoberto.