Título: EUA PROPÕEM FIM DO EMBARGO A CUBA
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Fonte: O Globo, 24/08/2006, Ciência e Vida, p. 34
Em troca, governo americano quer um processo de transição para a democracia
O governo dos EUA se dispôs a levantar o embargo a Cuba em troca de um processo de transição à democracia. Uma oferta desse tipo já tinha sido feita em 2002, pelo presidente George W. Bush, e rejeitada por Fidel Castro. A nova versão, no entanto, inclui uma mudança sutil: Cuba poderia optar por um determinado tipo de democracia, em vez de acatar a que é exercida nos EUA.
- Obviamente aberturas políticas e democratizações podem tomar uma variedade de formas. Estamos muito interessados em ouvir dos próprios cubanos como eles acham que isso pode acontecer - disse o secretário de Estado Assistente para Assuntos do Hemisfério Ocidental, Thomas Shannon.
Ele fez a nova oferta indiretamente, através de uma entrevista a jornalistas da América Latina no Centro de Imprensa Estrangeira. Ficou claro em suas declarações que os EUA estão alterando gradualmente seus métodos. Impor democracia já não é mais o objetivo:
- Nenhuma solução política pode ser imposta de fora. O momento é de desenvolver um espaço político dentro de Cuba. O futuro será decidido dentro de país.
Ele disse que os EUA estão buscando maneiras de aprofundar o seu relacionamento com o povo cubano. Mas ficou claro que, no momento, ainda não se sabe exatamente como colocar isso em prática, por falta de informações internas. Por isso mesmo, o Diretor de Inteligência Nacional, John Negroponte, que comanda as agências de espionagem, criou um escritório especial só para coletar e analisar informações sobre Cuba e Venezuela.
O governo americano acredita que "está havendo uma transferência de poder em câmera lenta" em Cuba, segundo disse Shannon. E não especificamente para Raúl Castro, como se imagina:
- Parece que Fidel não está em condições de voltar à administração. Vemos uma transferência de poder para instituições, não para pessoas. Fidel atuaria como árbitro.