Título: Empresários cobram pressa para desenvolvimento
Autor: Ilimar Franco/Luiza Damé
Fonte: O Globo, 25/08/2006, O País, p. 5

'A principal angústia é a absoluta insuficiência de crescimento da economia', afirma Jorge Gerdau Johannpeter

BRASÍLIA. Os empresários reunidos ontem no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social cobraram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a adoção de medidas que levem a um crescimento mais veloz e consistente da economia. Eles reconheceram que o atual governo criou condições macroeconômicas positivas para que o Brasil volte a crescer, mas pediram mais ousadia e ambição na fixação das metas de crescimento.

A mesma cobrança já havia sido feita ao presidente Lula num jantar, na noite de terça-feira, com cerca de 40 empresários, na casa do ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan. O empresário Luiz Carlos Delben Leite, ex-presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimac), disse que o horizonte de 2022 - previsto no documento do conselhão - é muito longo e a meta de crescimento fixada pelo próprio Conselho é pouco para o Brasil.

- Precisamos ter mais velocidade. O Brasil tem que crescer mais e rápido. Precisamos ser muito mais ambiciosos e temos que ser mais ousados nas propostas - disse Delben Leite.

Para o empresário Jorge Gerdau Johannpeter, presidente do Grupo Gerdau, o crescimento é hoje a principal angústia do setor.

- Realmente foi construído um cenário que nunca tivemos no país. O Risco Brasil está caindo e a inflação controlada. A principal angústia é a absoluta insuficiência de crescimento da economia - disse.

Para evitar que as declarações fossem exploradas eleitoralmente, Gerdau disse que não queria apontar culpados e considerou que aceitar a taxa de crescimento dos últimos 20 anos é uma irresponsabilidade da elite. Ele acrescentou que esse nível de crescimento leva ao crime, à informalidade, à não-solução dos problemas da Previdência e das grandes cidades.

COLABOROU Regina Alvarez

'A reforma política é fundamental'

Integrantes do CDES manifestaram apoio a mudanças na política

BRASÍLIA. Os empresários presentes à reunião de ontem do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) manifestaram integral apoio à aprovação de uma reforma política. Eles disseram que, sem uma reforma política que fortaleça os partidos, dando maior poder a seus dirigentes com a aprovação da fidelidade partidária, não serão criadas condições para que sejam aprovadas outras reformas, como a tributária e previdenciária.

- A reforma política é fundamental, sem ela ninguém consegue fazer o país crescer - disse o presidente da Vale do Rio Doce, Roger Agnelli.

Modelo atual é visto como obstáculo ao desenvolvimento

Na avaliação de Agnelli, existe um consenso entre os integrantes do conselho, os empresários e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que os partidos precisam se juntar para fazer a reforma política. Agnelli afirmou que não leva a nada os partidos continuarem brigando depois das eleições de outubro. Ele considera que hoje, no Brasil, todos sabem o que tem de ser feito, mas que falta velocidade nas decisões.

- Sem uma reforma política, qualquer projeto de desenvolvimento encontrará obstáculos para ser implementado - afirmou o presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção, Paulo Safady Simão. (Ilimar Franco, Luiza Damé e Regina Alvarez)

A origem da proposta de Constituinte

BRASÍLIA. A polêmica tese da convocação de uma Assembléia Constituinte exclusiva para a reforma política, defendida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, surgiu em uma reunião do Conselho Econômico de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), há três meses. A tese tem o apoio de diversos empresários, mas não consta de qualquer documento do CDES.

O empresário Luiz Carlos Delben Leite, integrante do Conselho, não apenas defendeu a Constituinte exclusiva como a chamou de "minha proposta" na reunião de ontem:

- O Congresso enfrenta problemas graves. A maioria dos parlamentares tem interesses estabelecidos e benesses que dificilmente seriam eliminados por eles mesmos.

Após sua intervenção, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, afirmou que esse debate ainda está em aberto.