Título: Polícia lista 412 contas ligadas à facção de SP
Autor: Adauri Antunes Barbosa
Fonte: O Globo, 25/08/2006, O País, p. 17

Relatório contém ainda 982 números telefônicos e 110 nomes de pessoas suspeitas de ligação com criminosos

SÃO PAULO. O secretário de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Saulo de Castro Abreu Filho, entregou ontem a autoridades federais e estaduais um CD com uma lista contendo 412 contas bancárias, 982 números telefônicos e 110 nomes de pessoas ligadas à organização criminosa que atua a partir dos presídios paulistas. Os dados, entregues durante o primeiro encontro de trabalho do Gabinete de Gestão Integrada (GGI), que reúne órgãos federais e estaduais de segurança, servirão para cruzar informações e apontar onde os criminosos fazem a lavagem de dinheiro.

Dados sobre a facção criminosa serão cruzados

As informações serão analisadas pelo Conselho de Controle de Ativos Financeiros (Coaf) e pelo Departamento de Recuperação de Ativos e Cooperação Jurídica Internacional (DRCI) do Ministério da Justiça, que vão cruzar dados sobre a facção criminosa de São Paulo. Ainda não há prazo para que sejam apresentadas conclusões, mas o GGI já marcou nova reunião para tratar da lavagem de dinheiro em 13 de setembro.

- Nós só trouxemos, num primeiro momento, a relação de pessoas físicas. As empresas, que nós temos também, vamos trazer tudo rastreado na próxima reunião - disse o secretário Saulo de Castro Abreu.

Uma conta-poupança do Bradesco, em nome de Lucas Renato Moreira, é uma das 412 que constam na lista que está sendo examinada. A conta foi identificada pela polícia e incluída pelo Ministério Público Estadual (MPE) na denúncia apresentada à Justiça contra 25 integrantes da facção. Conforme o MPE, Lucas passou o número dessa conta à Marilene Carlos Simões, a Marlene, presa por chefiar um núcleo do crime organizado, para que ela depositasse dinheiro da venda de drogas que também comandava. A conta foi identificada através de escuta telefônica de uma conversa entre os dois, ocorrida às 17h12m de 3 de junho deste ano.

Dinheiro de poupança foi usado na defesa de Marcola

Conforme a denúncia dos promotores do MPE, saiu dessa conta-poupança o dinheiro que Maria Cristina Rachado - advogada de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, também presa por envolvimento com a facção criminosa - usou para ir a Brasília e comprar cópia dos depoimentos de delegados paulistas à CPI das Armas. Os honorários da advogada, segundo a denúncia, também eram pagos com dinheiro dessa conta e negociados diretamente entre ela e Lucas Moreira.

A Polícia de São Paulo ainda interceptou conversas de Marilene com outro integrante da quadrilha, Robson de Jesus Silva, por telefone celular. No diálogo, a chefe do núcleo que comandava o tráfico de cocaína combinava a entrega de R$80 mil na Penitenciária de Presidente Venceslau, onde estão presos diversos integrantes da organização criminosa.

Ontem o secretário de Segurança Pública afirmou que as informações do CD entregue para os integrantes do GGI são completas e trazem fotografia, filiação e CPF das 110 pessoas listadas. Segundo ele, são todas ligadas à organização do crime e que têm contato direto com lavagem de dinheiro.