Título: Superávit primário de julho caiu 46%
Autor: Patricia Duarte
Fonte: O Globo, 25/08/2006, Economia, p. 29
Resultado somou R$5,6 bilhões, o menor patamar desde maio de 2004
BRASÍLIA. O superávit primário (receitas menos despesas antes do pagamento de juros) do setor público recuou 46,24% em julho, sobre o mês anterior, chegando a R$5,615 bilhões, o equivalente a 4,33% do Produto Interno Bruto (PIB, soma de todas as riquezas do país) em 12 meses. Este é o menor patamar de economia para pagamento de juros feito pelos governos federal, estaduais e municipais e suas estatais em 26 meses - desde maio de 2004, quando ficou em 4,16%, segundo o Banco Central (BC).
O resultado está muito próximo da meta do Executivo para este ano eleitoral, de 4,25% do PIB. Além disso, representa perda significativa em relação à economia alcançada em julho do ano passado, quando o superávit fechou em 5,21%, sendo que o objetivo do governo era o mesmo em 2005, deixar no caixa 4,25% do PIB para pagar juros.
Segundo BC, resultado está dentro da expectativa
O superávit menor do governo central (governo federal, BC e INSS) e o resultado mais tímido das estatais explicam o resultado acanhado. Apesar disso, o governo se esforça para mostrar que os números são positivos.
- Não é um resultado ruim e veio dentro da expectativa. O importante é cumprir a meta - disse o chefe do departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
As estatais acabaram pesando nas contas e apresentaram superávit de R$337 milhões, quase 84% menos do que os R$2,095 bilhões obtidos em junho. Lopes explicou que a transferência dos ativos de R$799 milhões da estatal Comercializadora Brasileira de Energia Emergencial (CBEE), extinta, acentuou o quadro minguado.
O resultado positivo do governo central em julho ficou em R$3,601 bilhões, quase a metade dos R$6,877 bilhões registrados no mês anterior. Os governos regionais, no sentido oposto, elevaram o superávit no período, de R$1,472 bilhão para R$1,677 bilhão, devido à Lei de Responsabilidade Fiscal, que limita seus gastos.
Os especialistas ainda continuam acreditando que a meta consolidada deste ano será cumprida - mas vão ficar de olho nos próximos resultados das contas públicas. O economista-chefe da Sul América Investimentos, Newton Rosa, chamou a atenção para o fato de, mesmo já estando, em julho, limitados pela Lei Eleitoral, os gastos públicos terem crescido:
- Será necessário mais esforço do governo federal para conter as despesas.
O superávit primário de julho não foi suficiente para cobrir as despesas com juros da dívida, apesar de seu recuo de R$4 bilhões, para R$13,455 bilhões. Por isso, houve déficit nominal (quando o país precisa recorrer a financiamento para fechar todas as contas) de 3,59% do PIB (em 12 meses). A dívida líquida do setor público encerrou julho a R$1,031 trilhão, o equivalente a 50,3% do PIB, estável em relação a junho.
INCLUI QUADRO: O SALDO DA UNIÃO ENCOLHEU [SUPERÁVIT PRIMÁRIO EM JULHO]