Título: PRESIDENTE DA BOLIVIANA YPFB RENUNCIA
Autor: Lino Rodrigues
Fonte: O Globo, 29/08/2006, Economia, p. 22
Governo de Morales ordena que petroleiras paguem tributo de 32%
LA PAZ. Em um ato no palácio do governo, o presidente da Bolívia, Evo Morales, anunciou a renúncia do presidente da estatal de petróleo YPFB, Jorge Alvarado, e deu posse a Juan Carlos Ortiz, até então um diretor da empresa. O presidente boliviano qualificou Alvarado de ¿incorruptível¿ e disse que as denúncias de corrupção enfrentadas por ele ¿ relacionadas a um acordo comercial para troca de petróleo por diesel com a empresa brasileira Iberoamérica a um preço bem abaixo do praticado no mercado ¿ foram ¿infladas¿ pela oposição com fins políticos.
Morales nomeou ainda como novo superintendente de Hidrocarbonetos Santiago Berríos e como novo vice-ministro de Exploração e Produção de Hidrocarbonetos Guillermo Aruquipa, em um esforço para ¿consolidar a nacionalização¿ do setor energético, decretada em maio.
Ao lado do ministro dos Hidrocarbonetos, Andrés Soliz, Alvarado era a outra face pública da nacionalização.
Também ontem o governo ordenou às principais petroleiras estrangeiras no país que paguem a partir desta semana um tributo adicional de 32%, criado como parte da nacionalização, com o objetivo de obter recursos para capitalizar a YPFB.
A Petrobras, a espanhola Repsol-YPF e a francesa Total deverão fazer, em conjunto, o primeiro pagamento, de cerca de US$30 milhões, até, no máximo, sexta-feira, 1º de setembro, disse um porta-voz do Ministério de Hidrocarbonetos. Fontes do setor disseram à agência de notícias Reuters que a ordem ¿- divulgada por meio de resolução oficial publicada ontem ¿ é de conhecimento das empresas. Nenhuma companhia se pronunciou.
O pagamento do imposto será seguido por outros quatro iguais, segundo um cronograma que se estende até 2 de outubro, explicou a fonte.
Índios ameaçam cortar fornecimento de gás
O fracasso das negociações entre a Assembléia do Povo Guarani e a empresa de dutos Transierra, cujos acionistas são Petrobras, Repsol-YPF e Total, voltou a colocar em risco o abastecimento de gás boliviano ao Brasil. Comunidades guaranis anunciaram ontem a volta da ocupação de instalações de gás e petróleo de Chaco, com ameaças de corte no fornecimento.