Título: MERCADO APOSTA EM JURO 0,25 PONTO MENOR E AVANÇO MAIS TÍMIDO DO PIB
Autor: Lino Rodrigues
Fonte: O Globo, 29/08/2006, Economia, p. 22
Analistas prevêem expansão de 3,5% no ano. Dólar cai 0,6%, para R$2,141
RIO e BRASÍLIA. Na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) vai decidir o rumo dos juros no país, o mercado aposta numa redução de 0,25 ponto percentual, o que levaria a Taxa Selic para 14,50% ao ano, mostrou a pesquisa semanal ¿Focus¿, do Banco Central (BC), divulgada ontem. Para o fim do ano, a expectativa dos analistas de cem instituições financeiras ouvidos pelo BC é que taxa fique em 14%. Mas os especialistas revisaram para baixo a perspectiva de crescimento da economia para 2007, a primeira depois de quase cinco meses.
Agora esperam expansão de 3,5% para Produto Interno Bruto (PIB, o conjunto das riquezas produzidas no país) no próximo ano, aquém dos 3,70% previstos até então. Para 2006, o mercado também aposta em crescimento de 3,50%, abaixo dos 3,53% estimados na semana anterior e dos 4% esperados pelo próprio BC. O desempenho fraco da indústria em meados deste ano, com redução da atividade, acabou esfriando os cálculos do mercado. O mercado revisou de 4% ara 3,97% a previsão da indústria em 2006, mas manteve em 4,50% para o ano que vem.
Merrill Lynch reduz aplicações em emergentes
O BC quer levar mais concorrência ao mercado de câmbio. Ontem, a autoridade monetária colocou em audiência pública um edital que autoriza a criação de bancos específicos para operações com moeda estrangeira. As exigências são bem menores do que as usadas para bancos múltiplos ¿ o BC determina que a instituição tenha patrimônio mínimo de R$23 milhões. Pela nova proposta do BC, o banco voltado para câmbio precisará de R$7 milhões como patrimônio. Hoje, segundo a instituição, 131 bancos fazem operações com câmbio no país.
Ontem o dólar fechou em baixa de 0,60%, cotado a R$2,141. Já a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), após perdas de mais de 4% na semana passada, se recuperou e fechou em alta de 1,16%. O risco-Brasil caiu 0,44%, para 227 pontos centesimais.
O banco de investimentos americano Merrill Lynch reduziu ontem suas aplicações em dívida de mercados emergentes, após admitir que lucrou alto com investimentos nestes países. ¿Reduzimos o risco, embolsamos os lucros recentes e alteramos o peso das aplicações em emergentes de acima da média do mercado para na média do mercado¿, disse, em relatório a clientes, o estrategista Tulio Vera. De maio a julho, os mercados globais sofreram severas perdas devido ao temor de uma desaceleração mais forte da economia americana, o que tenderia a reduzir bruscamente o ritmo de crescimento global.
Em movimento contrário, a americana Pimco, maior investidora em bônus de mercados emergentes, tem aumentado sua exposição em dívida brasileira em moeda local para atender à demanda de clientes por retornos mais altos, afirmou ontem Michael Discher-Remlinger, administrador sênior de portfólio da Pimco.
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