Título: FIESP ALERTA PARA RISCO DE APAGÃO E RACIONAMENTO SE PAÍS CRESCER MAIS
Autor: Lino Rodrigues
Fonte: O Globo, 29/08/2006, Economia, p. 22
Estatal de pesquisa energética, no entanto, descarta problemas no setor
SÃO PAULO. Se o Brasil voltar a crescer entre 4% e 5% nos próximos anos, faltará energia para atender a essa expansão. O alerta foi feito ontem pelo empresário Luiz Gonzaga Bertelli, diretor do Departamento de Infra-estrutura da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), durante seminário sobre a matriz energética nacional, na sede da entidade. Segundo ele, a indústria consome dois terços dos 60 mil megawatts (MW) gerados. Qualquer expansão superior a quatro pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB, conjunto das riquezas produzidas no país) trará de volta apagões e racionamento, a começar pelas regiões Norte e Nordeste do país.
¿ Estamos preocupados com esse cenário ¿ disse Bertelli.
O diagnóstico de Bertelli, no entanto foi contestado pelo presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, que descartou o risco de o país voltar a enfrentar racionamento até 2015. Para ele, a equalização entre a oferta e a demanda virá do início das operações de empreendimentos que estavam atrasados por causa da falta de licenças ambientais.
¿ Não existe possibilidade, dentro do novo modelo, de apagão ou racionamento nos próximos cinco anos ¿ disse Tolmasquim, que contestou pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) indicando que 60% das entidades ligadas ao setor elétrico já admitem uma nova crise energética até 2010.
Prioridade do governo depende de gás boliviano
Para Bertelli, o governo tem dado prioridade à construção de usinas movidas a gás natural importado da Bolívia, preterindo projetos de co-geração com uso de bagaço de cana e construção de hidrelétricas.
¿ Se o Brasil aproveitasse o potencial de biomassa, teríamos uma oferta de 15 mil MW produzidos a mais ¿ afirmou o empresário, lembrando que um dos entraves para novos investimentos na construção de novas hidrelétricas tem sido a dificuldade para liberação de licenças ambientais.
¿ Estão tratando um assunto sério de maneira leviana. Assim, caminhamos para o campo do ridículo ¿ disse, por sua vez, Tolmasquim.