Título: Se for um Congresso como o de hoje, eu o quero na oposição'
Autor:
Fonte: O Globo, 30/08/2006, O País, p. 11
Heloísa Helena diz que espera renovação mas que, se eleita, pretende ir pessoalmente à Câmara e ao Senado, sempre que necessário, para debater
A senadora Heloísa Helena vê o Congresso como um espelho do Poder Executivo. Para ela, alguns integrantes do Parlamento são inconseqüentes, corruptos e incompetentes como o governo. Mas não todos. Caso não haja renovação do atual quadro político, se eleita, ela diz que prefere ter o Senado e a Câmara dos Deputados como oposição. Mas diz que iria pessoalmente lá negociar projetos de interesse do país. Não precisa viajar pelo mundo, brincou, como "outros" fizeram tanto. Ela afirma que o Congresso não é necessário para muitas das mudanças que quer implenentar. Nem para a elaboração do Orçamento, que a seu ver deveria ser impositivo, nem para aprovar reformas econômicas como a tributária.
PROGRAMA DE GOVERNO
ANCELMO GOIS: Causou polêmica a sua afirmação no "Jornal Nacional" sobre programa de partido e de governo. O atual presidente está fazendo um governo bastante diferente daqueles programas criados pelo PT. A pergunta era pertinente?
HELOÍSA HELENA: Para quem é militante é muito mais fácil compreender. Sabem muito bem o que significam os objetivos estratégicos do programa partidário e o que é manifesto de programa de governo. Todos sabem que sou socialista. Não nego as minhas convicções. Aprendi a ser socialista na Bíblia, é por isso que sou resolvida. Respeito quem diz que vamos vivenciar uma experiência socialista agora, mas não sou mercadora de ilusão.
INVASÕES
ARNALDO BLOCH: Por ocasião da invasão do Congresso pela militância do MLST, a senhora condenou o ato mas disse que o endereço deveria ter sido o do Palácio do Planalto. Se eleita, como reagiria à invasão do Palácio?
HELOÍSA HELENA: Quando eu falei que o endereço estava errado é porque o movimento enviou uma pauta de discussão falando do descontigenciamento de verba. Embora eu saiba que o Congresso é uma estrutura desmoralizada, não sou cínica de fazer de conta que não sei quem lidera o movimento. Nem sou hipócrita de dizer que não sei que quem contingencia verba é a estrutura do Palácio do Planalto. Eu não estava dizendo que era o endereço para a baderna, porque eu jamais aceitaria isso. Infelizmente só existe violência no campo porque existe governo incompetente para fazer a reforma agrária. Há algumas experiências exitosas, mas existe um processo de favelização rural.
ESPORTE
FERNANDO CALAZANS: Nas eleições passadas, duas expressões se tornaram quase lugar comum nas frases dos candidatos: inclusão social e massificação do esporte. Como a senhora daria o pontapé inicial nesses temas?
HELOÍSA HELENA: Essa é uma das motivações para eu estar nessa luta absolutamente desigual: jatinho tucano de um lado, Aerolula para o outro. Eu prefiro dizer: sadismo é possível, masoquismo jamais. Estou na luta porque acredito que é possível não só no esporte. Não são todos que têm a possibilidade e a desenvoltura, mas através da música e da cultura podemos ter também a complementação do ensino. Acredito que é possível, desde a primeira década de uma criança, onde todas as conexões neurológicas são feitas, ter creche, pré-escola, ensino médio e introduzir o esporte, a música, a cultura. É fundamental. Acho que todas as crianças têm que ter esse direito. Há dinheiro para fazer. O que não é aceitável é que um país rico como o Brasil condene as crianças e jovens a serem invisíveis. Só não são invisíveis se continuarem vulneráveis.
GUARDA-ROUPA
JOAQUIM FERREIRA DOS SANTOS: Por que a senhora usa sempre a mesma roupa? Qual a mensagem?
HELOÍSA HELENA: Você vai morrer do coração com uma coisa que vou lhe dizer. É porque eu sou fofinha, cheirosinha, limpinha, para matar de inveja quem acha que não. Quem usa branco está frito, qualquer coisinha suja logo. É pura mania mesmo. Eu gosto. Imagina, eu sou espoleta - só na rua, viu? Porque de perto sou normal e boazinha -, imagina se eu andasse com roupa vermelha? Mas eu respeito todas as tribos. Eu vi a poderosa da Danuza Leão - achei o máximo, né? - dizendo que uma blusinha parecida com a minha em uma butique em Paris, que custa não sei quantos euros. Vou tirar uma foto de todas e mandar para seu e-mail.
AGRESSIVIDADE
MERVAL PEREIRA: A senhora está parecendo um pouco desanimada com o resultado das pesquisas. É porque tem menos tempo ou porque talvez tenha sido mais agressiva do que o eleitorado brasileiro esperava?
HELOÍSA HELENA: Vou falar por pura especulação. Como não tenho dinheiro para contratar pesquisa, não sei ao certo o que está acontecendo. Acho meio estranho, porque a emoção e a alegria das pessoas é muito maior agora. É estranho, mas não estou desanimada. Se cada um dos eleitores arranjarem dois votos, daqui a pouco eu vou encostar na majestade barbuda. Senão, vai ser muito enfadonho esse segundo turno. O cinismo do Lula contra aquela coisa do Alckmin. Vai ser muito importante que tenha outra alternativa de desenvolvimento econômico. Como mãe que ensina aos filhos que é proibido roubar, eu queria muito que essa eleição tivesse caráter plebiscitário. Claro que, independente do resultado, eu vou continuar ensinando à meninada lá em casa que é proibido roubar. Agora, o triunfo do banditismo político, do banditismo eleitoral, dos escândalos de mensaleiro, sanguessugas e outras formas mais sofisticadas desse tipo de banditismo é muito ruim. Banaliza.
ALCKMIN
JORGE BASTOS MORENO: O que seria essa "coisa do Alckmin"?
HELOÍSA HELENA:É porque eu cheguei em Sorocaba, dois senhores me chamaram e brincaram, dizendo que de um lado é picolé de chuchu, do outro, a abobrinha. E tem que ter a pimentinha na história.
COISA DE MULHER
JORGE BASTOS MORENO: A senhora tem um discurso um tanto raivoso, um vocabulário até meio antigo, meio rococó. Mesmo assim cativou determinada faixa da população com simpatia, aquela coisa de mulher. A senhora tem um outro lado que é diferente desse discurso raivoso. Tenho certeza que se mostrasse esse lado, talvez até a Dona Marisa votasse na senhora.
HELOÍSA HELENA: Não acho que exista uma diferença. Eu sou assim mesmo. Sou como a maioria das mulheres são: ternura e fúria. Mas é difícil, Moreno, ter paciência. Ninguém agrada todo mundo ao mesmo tempo. Nem Jesus Cristo agradou, se lascou, porque, coitado, todo mundo que dizia é o rei, é o rei, na hora de escolher entre o rei da terra e do céu, crucificou. Para mim, eu acho que não tem esse abismo. Eu sou a mesma pessoa. Quem me conhece sabe que eu sou super boazinha, mas sou chatinha e às vezes, reconheço, intolerante. Especialmente diante do cinismo e da dissimulação. Não é brincadeira, você está convivendo com o cara roubando ambulância, mensaleiro, outras coisas mais e, ficar calma, não dá. No dia em que eu tiver tolerância com meu filho agredido, passo a ter tolerância com os filhos da pobreza agredidos também.
DÍVIDA PÚBLICA
MÍRIAM LEITÃO: Deixando os adjetivos de lado, eu gostaria de saber, objetivamente, como a senhora pretende tratar a dívida pública, que é carregada por milhões de brasilerios. Em caso de haver risco inflacionário, seria permitido ao Banco Central subir juros ou não? E uma pessoa com salário de senador não consegue poupar nada, como é que vai administrar as finanças do país?
HELOÍSA HELENA: Eu não disse que eu não consigo poupar. Não gosto de especular. É completamente diferente. O povo brasileiro, a classe média alta, que poupa, a classe média que está fazendo poupança, todo mundo vai ter a maior segurança do mundo de que vai receber. Quem comprou títulos do governo, quem fez qualquer aplicação vai receber. Agora, é evidente que a norma vai mudar. Quem recebia um juro maior vai receber um juro menor. O Banco Central, o Ministério da Fazenda, o Ministério do Planejamento não podem administrar a riqueza produzida no Brasil simplesmente para pagar juros. Isso é inaceitável. Quem quiser poupar terá um lugar seguro para o seu recurso ficar lá estacionado. Não haverá nenhum problema. A meta do Brasil não é mais crescer apenas 3,5%. A meta de crescimento será o dobro. Isso estabelecerá mecanismos diferenciados para a redução da taxa de juros pela metade e ela ainda ficará a terceira maior do planeta terra. E não haverá fuga de capitais. As normas em vigor no país impedem a fuga de capitais. A dívida interna tem que existir. O desajuste fiscal no Brasil é em função de juros. Para promover o ajuste tem que reduzir o impacto da dívida pública, tem que reduzir o superávit e potencializar com o crescimento econômico. Quanto à dívida externa tem que fazer uma auditoria. Não acredito em pico inflacionário. Nós temos um compromisso com essa meta.
INFLAÇÃO
MÍRIAM LEITÃO: A senhora falou rapidamente sobre a meta. A idéia seria manter a meta de inflação?
HELOÍSA HELENA: Pode ter certeza, nós vamos manter a meta. Eu acredito tecnicamente. Não é questão de fé. Fé eu tenho em Deus que não pode nem ser tocado nem localizado geograficamente. Brincam que não quero um Banco Central autônomo. Quero é um Banco Central autônomo do capital financeiro. Você tem razão quando diz que o problema não está só nos bancos. É que eles ganham muito. Nossa proposta é manter a meta, fazer a reforma tributária, a redução da taxa de juros, impedir a esterilização do superávit primário.
CARGA TRIBUTÁRIA
FLÁVIA OLIVEIRA: O que fazer para diminuir a carga tributária e para que o sonegador acerte as contas com o Fisco?
HELOÍSA HELENA: O governo não fez a reforma tributária porque não quis. Não tem nada a ver com o Congresso Nacional. O Congresso Nacional é inconseqüente, corrupto, incompetente, porque inconseqüente, corrupto e incompetente o governo é. Então não foi por isso. Entendo que é muito importante fazer a reforma tributária e que é possível fazer. No caso específico dos estados, que é um problema à parte, espero ter a oportunidade, se chegar à Presidência da República, de fazer a repactuação e o alongamento do perfil da dívida. É muito importante que todo o aparato institucional e policial possa estar sendo disponibilizado para promover o combate implacável à sonegação, ao desrespeito à legislação em vigor no país. Tudo o que está no marco da legalidade deve ser feito, de forma conseqüente, institucional.
SEGUNDO TURNO
TEREZA CRUVINEL: Em um segundo turno em que a senhora não esteja, vai ficar com o cinismo do Lula ou com a "coisa" do Alckmin. Se chegasse à Presidência, como seria a sua coalizão de governo?
HELOÍSA HELENA: Primeiro, meu amor, você não é minha eleitora. É, danada? Os meus eleitores são mulheres e homens livres. Meu eleitorado não precisará de uma luz da suposta vanguarda indicando o caminho. Quando respondo a essa segunda pergunta, tem gente que acha que é uma viagem interplanetária. Enquanto não tiver a oportunidade de modificar a Constituição, tenho obrigação de respeitá-la. Congresso Nacional é bandido quando o chefe do Executivo o é, porque quem monta o balcão de negócios sujos que possibilita a pulverização de sanguessugas, de mensaleiros e outras coisas mais é quem tem a chave do cofre, é o chefe do Executivo. Aliás, se for um Congresso como o que está hoje, que Deus nos livre e Nossa Senhora nos proteja, eu o quero na oposição fiscalizadora. Porque política econômica não precisa do Congresso. Eu quero ir lá quantas vezes necessário for para fazer o debate. Não vou ficar viajando pelo mundo porque já viajaram tanto que nem vai ter mais graça trazer fotografia para o álbum do Palácio do Planalto. Por que a construção do Orçamento tem que ser a prova do propinódromo? Por que o presidente da República tem que se reunir nos esgotos dos palácios? O parlamentar só libera os recursos se deixar que o chefe do Executivo ponha uma etiqueta na sua testa dizendo qual é o seu preço?
INCENTIVO À CULTURA
ARTUR XEXÉO: No Brasil só se faz cinema e teatro com políticas de renúncia fiscal. O que a senhora vai mudar na cultura?
HELOÍSA HELENA: Se o que proporciona os investimentos em cultura no Brasil é a renúncia fiscal, tem que ter renúncia fiscal. E o setor pode discutir conosco o que vai ser feito. Eu nasci numa família pobre, do interior de Alagoas.
ALIADOS
ZUENIR VENTURA: Como a senhora explica a variedade de apoios ou simpatias que tem recebido, que vão de Garotinho a Cesar Maia?
HELOÍSA HELENA: Quem quiser a ditadura no Brasil não contará comigo para dizer que as pessoas não podem falar o que querem. Eu nunca conversei com o Garotinho. Não tenho acordo. Já disse isso umas 500 mil vezes. No caso do blog do Cesar Maia, com todo respeito, achar que eu preciso da orientação de um homem para falar como mãe, mulher e cristã, isso é muita ousadia. Mas ele pode falar o que quiser. Aliás, tenho que agüentar quem fala mal de mim e agüento. Até os quem faz as listinhas na internet, safadas. É por isso que o presidente Lula tem que ir para o debate, porque tem contas a acertar para acabar com a molecagem dos ministros dele, que dizem que vou acabar com o Bolsa Família, que vou tirar os meninos pobres que entraram na escola pelo ProUni. Tem que acabar com essa vigarice. Inclusive sobre a minha honra como mãe. Lula tem que ir para o debate para acabar com essa molecagem de ficar plantando na imprensa.
COTAS
CHICO CARUSO: A senhora é a favor ou contra o sistema de cotas raciais para o acesso às universidades?
HELOÍSA HELENA: Eu defendo a cota da escola pública e dentro dessa cota, a do afrodescendente. Eu não defendo a cota apenas do afrodescendente. Isso significaria quase que um conceito nazista de biologizar a inteligência. Toda a política afirmativa é feita porque as normas estabelecidas na vida em sociedade tratam de forma diferenciada ricos e pobres, homens e mulheres, brancos e negros, heterossexuais e homossexuais.
REPRESSÃO AO CRIME
PAULO COELHO: A senhora acredita que a repressão ao crime deve ser mais eficaz , dura, ou acha que antes temos que mudar as condições sociais?
HELOÍSA HELENA: Essa matriz conceitual do tratamento das causas e repressão dos efeitos é imprópria. Hoje temos que ter ao mesmo tempo tratamento das causas, com políticas sociais que diminuam os riscos. O que mais as mães de filhos assassinados dizem é que elas querem um campinho para o filho jogar bola. Eu não quero que aconteçam marcolas do futuro. Quem era o Marcola do passado? Era um menininho de oito anos de idade, da periferia de São Paulo, que perdeu a mãe afogada, o pai em um acidente, foi roubar, bateu uma carteirinha. O sistema prisional brasileiro hoje é campo de concentração de pobre. Alguns dirão que só com a pena de morte. Mas eu não acredito em pena de morte. Muitos não têm castigo, como os delinqüentes de luxo e os ratos de terno e gravata. Flexibilização de pena não significa soltar estuprador e assassino contumaz.
CLÁUSULA DE BARREIRA
ELIO GASPARI: A senhora acha que o PSOL deve se juntar aos pequenos partidos com fraco desempenho eleitoral para detonar a cláusula que os obriga a um desempenho mínimo para terem acesso à propaganda gratuita e ao dinheiro do fundo partidário?
HELOÍSA HELENA: O dinheiro do fundo partidário nem conta. Afinal, são R$8 mil por ano. Entendemos que é importante a preservação das nossas instâncias. Claro que estamos trabalhando muito para superar a cláusula de barreiras, para existirmos eleitoralmente. Do ponto de vista legal, a estruturação de uma federação partidária para superar a cláusula de barreira teria que ser antes. A gente sabe que há pequenos partidos, que funcionam como moeda de troca no jogo eleitoral.
PRIMEIROS ATOS DE GOVERNO
LUIS FERNANDO VERÍSSIMO: Poderia nos adiantar quais seriam as principais mudanças, com quem as faria e quais seriam sua primeira providência na área econômica?
HELOÍSA HELENA: Com certeza o ministro não será nenhum desses que pensa, a política de sabotar o desenvolvimento econômico do Brasil. Terá que ser alguém comprometido com a linha de desenvolvimento econômico que defendemos. São tantos nomes qualificados, competentes. Mulheres e homens para assumir o Ministério da Fazenda, de Planejamento e o Banco Central e outras diretorias há. Do mesmo jeito que hoje eles se reúnem para conspirar contra o desenvolvimento econômico, no nosso governo vão se reunir para viabilizar aquilo que é importante para fazer desse país uma nação, para que ele esteja inserido de forma robusta no cenário internacional.
SOCIALISMO
JOÃO UBALDO RIBEIRO: A senhora acredita que se eleita poderia iniciar um modelo de socialismo para o Brasil? Que socialismo a senhora vê como viável e benéfico?
HELOÍSA HELENA: O nosso projeto não nega o socialismo. O socialismo, pra mim, é uma situação bela e maravilhosa. É por isso que fizemos um esforço de introduzir, embora redundância fosse, a palavra liberdade (no nome do partido). Lógico que nenhum de nós é herdeiro das as experiências de totalitarismo, da truculência, da intolerância do Leste Europeu. Somos herdeiros da contestação a essa experiência.
GATO POR LEBRE
ARTHUR DAPIEVE: A senhora falou que programa de partido é uma coisa e de governo é outra. O eleitor estará sempre condenado, no Brasil, a comprar gato por lebre?
HELOÍSA HELENA: No meu caso não. Não estou vendendo nem gato nem gata. Nem lebre nem lebra. No meu caso estou apresentando o que eu sou. Ao contrário dos outros, que deixam a surpresa, a safadesazinha política para depois que ganha a eleição, eu não. Até porque quando acredito numa coisa, não vou ter medo de defender. Como dizia o velho Oscar Wilde, não confie numa mulher que diz a idade porque ela é capaz de dizer qualquer coisa. Eu digo logo a minha idade (44 anos), porque sou capaz de dizer qualquer coisa e jamais iria negar o que acreditasse, mas não posso mentir. Posso ter o meu argumento desestruturado tecnicamente, agora politicamente jamais faria a elaboração se não acreditasse.
TELEFONIA
CORA RÓNAI: Antigamente, telefone era patrimônio. Hoje é ferramenta de comunicação que se compra na esquina. Qual é o seu projeto para este setor?
HELOÍSA HELENA: Primeiro, em relação às privatizações, passamos quatro anos (quando era do PT), batendo no governo Fernando Henrique Cardoso, apontando os indícios de crimes relevantes contra a administração pública. Tráfico de influência, intermediação de interesses privados, exploração de prestígio. Uma auditoria no processo de privatização é obrigação fazer. No caso da telefonia, estamos pagando uma tarifa que está financiando o usuário da telefonia espanhola. Nenhum partido, nenhum governo pode, unilateralmente, sem um debate com a sociedade, um plebiscito, dizer o que pode e o que não pode ser privatizado. Nem Fernando Henrique podia e nem nós por decreto podemos fazer.
"Repito que aprendi a ser socialista na Bíblia, é por isso que sou resolvida."
"Não existe reforma agrária. Há algumas experiências exitosas, mas existe um processo de favelização rural."
"O que não é aceitável é que um país rico como o Brasil se dê ao direito de condenar as crianças e jovens brasileiros a serem invisíveis."
" É porque eu sou fofinha, cheirosinha, limpinha, para matar de inveja quem acha que não."
"Por que o presidente da República tem que se reunir nos esgotos dos palácios?"
" Se cada um dos eleitores arranjarem dois votos, daqui a pouco eu vou encostar na majestade barbuda."
"Vai ser muito enfadonho esse segundo turno. O cinismo do Lula contra aquela coisa do Alckmin."
"Eu sou assim mesmo. Sou como a maioria das mulheres são: ternura e fúria. "
"Quanto à dívida externa tem que fazer uma auditoria. Não acredito em pico inflacionário. Nós temos um compromisso com essa meta ."
"Nós vamos manter a meta. Eu acredito tecnicamente. Não é questão de fé. Fé eu tenho em Deus que não pode nem ser localizado geograficamente."
"O Congresso Nacional é inconseqüente, corrupto, incompetente, porque inconseqüente, corrupto e incompetente o governo é."
"Os meus eleitores são mulheres e homens livres. Meu eleitorado não precisará de uma luz da suposta vanguarda indicando o caminho."
"(...) se for um Congresso como o que está hoje, que Deus nos livre e Nossa Senhora nos proteja, eu o quero na oposição."
"Não vou ficar viajando pelo mundo porque já viajaram tanto que nem vai ter mais graça trazer fotografia para o álbum do Palácio do Planalto. "