Título: Sanguessugas: de 5 acusados, PFL absolve 4
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 30/08/2006, O País, p. 15
Partido se antecipa ao Conselho de Ética e diz que não há provas contra seus deputados, entre eles Laura Carneiro
BRASÍLIA. O PFL absolveu ontem quatro dos cinco deputados do partido acusados de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. A decisão, tomada em reunião da executiva nacional com a presença dos quatro inocentados, garantiu a eles legenda para a disputa da reeleição à Câmara. O único punido é do Rio: Almir Moura. Acusado de receber R$100 mil de propina, foi expulso do partido e, sem legenda, não pode tentar retornar ao Congresso na próxima legislatura.
Os deputados inocentados são Laura Carneiro (RJ), Celcita Pinheiro (MT), Robério Nunes (BA) e Cesar Bandeira (MA). O partido considerou que a CPI dos Sanguessugas e a Procuradoria-Geral da República, que investigam o caso, até agora não encontraram provas contra eles. Outros dois deputados do partido envolvidos com a máfia - Coriolano Sales (BA) e Marcos de Jesus (PE) - se desligaram do partido por conta própria.
O presidente do partido, senador Jorge Bornhausen (SC), disse que os julgamentos foram justos e que não teme que o partido tenha sua imagem prejudicada. Segundo ele, as decisões foram unânimes:
- O PFL foi o único partido a abrir imediatamente processos contra seus deputados. O partido teve coragem de enfrentar os problemas.
"Laura provou inocência", diz relator dos processos
O presidente do PFL Jovem, João Roma Neto, relator dos processos, disse que Laura Carneiro, acusada de receber R$15 mil, provou inocência:
- Vedoin acusa a deputada de ter recebido dinheiro em abril na conta de sua assessora, Jane Cleide. Jane nos apresentou extratos do Banco Central das duas contas que tem, provando que o dinheiro nunca foi depositado.
Celcita é acusada de ter recebido R$50 mil; Robério Nunes, R$25 mil; e César Bandeira, R$30 mil.
Mais 3 parlamentares são investigados
Conselho de Ética começa a notificar os 67 parlamentares processados
BRASÍLIA. As investigações de parlamentares envolvidos com a máfia dos sanguessugas começam a andar no Congresso. Ontem, o Conselho de Ética da Câmara começou a notificar os 67 deputados que sofrerão processos de cassação. Técnicos da Casa passaram o dia batendo de porta em porta à procura de congressistas e assessores. Até o início da noite, 21 foram encontrados e assinaram o termo.
A CPI dos Sanguessugas abriu ontem investigações contra mais três: o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) e os deputados Salvador Zimbaldi (PSB-SP) e Philemon Rodrigues (PTB-PB). O presidente da CPI, deputado Antônio Carlos Biscaia (PT-RJ), decidiu incluí-los na lista de acusados, que agora tem 69 deputados e quatro senadores. Para ele, há provas materiais de que os três parlamentares receberam vantagens em troca da apresentação de emendas para a compra de ambulâncias.
- Não basta o parlamentar ter emendas que foram parar no esquema Planam. É preciso evidências, como há nesses casos - disse Biscaia.
Antero foi acusado pelo chefe da máfia, o empresário Luiz Antônio Vedoin, de receber R$40 mil de propina, por intermédio do deputado Lino Rossi (PP-MT), para apresentar uma emenda de bancada de R$400 mil para compra de ambulâncias. Philemon Rodrigues, segundo Darci Vedoin, pai de Luiz Antônio, teria recebido 10% do valor de uma ambulância feita pela Planam.
Gabeira terá de dar explicações ao STF
Zimbaldi teria sido beneficiado com a concessão de um ônibus para uma fundação de saúde. Philemon atribuiu sua inclusão no rol dos investigados ao sub-relator da CPI, Fernando Gabeira (PV-RJ), com quem diz ter divergências ideológicas:
- Sempre debati temas na comissão como casamento de pessoas do mesmo sexo e uso de drogas. (Ele) Gabeira está se esforçando para me colocar entre os sanguessugas, mas não tem provas.
Gabeira terá que apresentar provas de que o PSB teria aparelhado o Ministério da Ciência e Tecnologia para obter vantagens políticas e financeiras para os integrantes da legenda, ou se retratar das afirmações de que o partido teria transformado a pasta em "ministério de compadres". A decisão é do ministro Eros Grau, do Supremo Tribunal Federal, que atendeu a interpelação do PSB. Gabeira terá 48 horas para prestar esclarecimentos sobre o episódio.
Na Câmara, os funcionários do Conselho de Ética ainda precisam entregar 46 notificações aos deputados investigados. Depois de notificados, eles terão prazo de cinco sessões da Câmara para apresentar defesa prévia. O Conselho de Ética do Senado decidiu ouvir, terça-feira, Darci e Luiz Antonio Vedoin e Romildo Medeiros, responsável pela montagem de equipamentos nas ambulâncias. O depoimento deve ser aberto.