Título: OS PRODUTORES DE CONTEÚDO E OS SITES
Autor: Flávio Freire
Fonte: O Globo, 30/08/2006, O País, p. 17

Empresas jornalísticas querem alguma compensação por uso de notícias

SÃO PAULO. Conhecidos por levar ao internauta, de forma quase instantânea, a informação que ele deseja, sites de busca como Google, Yahoo e outros podem ser processados civil e criminalmente por apropriação de informações de outros portais. A conduta dos buscadores, segundo a professora Maristela Basso, de Direito Internacional da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), é ilegal porque desrespeita tratados internacionais assinados pelos países que participam da Organização Mundial do Comércio (OMC).

- Os sites de busca estão expandindo suas atividades para além dos buscadores, criando novos negócios a expensas dos portais jornalísticos - avalia a professora, que falou ontem na I Cúpula Latino-Americana de Líderes de Jornais sobre propriedade intelectual.

Mas o presidente executivo da Associação Mundial de Jornais, Timothy Balding, acha que a solução para o uso indevido de conteúdos de portais jornalísticos é o entendimento.

- Gostaríamos de ter uma relação amigável - disse.

Em cerca de seis semanas, segundo ele, uma ferramenta que acompanha o uso de conteúdos por parte do Google e do Yahoo será testada por 20 empresas jornalísticas. O novo instrumento técnico faz parte de um acordo que vem sendo negociado com esses buscadores para que haja algum tipo de compensação pelo uso do conteúdo. Com o Google, segundo Balding, já foram feitos acordos comerciais com a Agência France Presse (AFP), em Washington e Paris, e com a Associated Press (AP).

Globo Online explica mudanças no site na reunião

Em outro painel da Cúpula Latino-Americana, a redatora-chefe do Globo Online, Joyce Jane da Silva, falou sobre a experiência do site do GLOBO de pôr o conteúdo do jornal impresso na internet. Ela descreveu os principais passos da última mudança que o Globo Online fez há cerca de duas semanas.

- Nossa missão, desde o final de 2000, é passar para a internet a credibilidade do GLOBO - resumiu a jornalista.

O relato sobre a migração do papel para a internet despertou a atenção dos representantes de 16 países, incluindo os Estados Unidos, que participaram do evento, que terminou ontem.

- O projeto do GLOBO na internet não pára de se modificar. Esta é a quinta mudança que fazemos em cinco anos. Há duas semanas mudamos todo o conceito do site. No jornal papel, a última mudança foi feita em 1995 - comparou Joyce.

O publicitário Ivan Marques, diretor associado da F/Nazca Saatchi, e o presidente da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Ricardo Alves Bastos, diretor de Assuntos Legais e Corporativos para a América Latina da Johnson & Johnson, debateram o "relacionamento conturbado" entre anunciantes, agências e veículos.