Título: PFL COBRA CENAS DO MENSALÃO NO HORÁRIO ELEITORAL
Autor: Adriana Vasconcelos e Gerson Camarotti
Fonte: O Globo, 31/08/2006, O País, p. 15

Mais do que críticas, o partido quer ver no programa de Alckmin imagens dos escândalos de corrupção no PT

BRASÍLIA, MARIANA (MG) e SALVADOR.Insatisfeitos com o programa eleitoral do candidato do PSDB à Presidência, Geraldo Alckmin, os pefelistas querem que o publicitário Luiz Gonzalez incorpore ao horário eleitoral mais do que críticas ao mensalão e ao comportamento ético do PT: sugeriram exibir imagens produzidas ao longo da crise do mensalão, como a de um petista preso com dinheiro na cueca.

O depoimento de Duda Mendonça à CPI dos Correios, admitindo que recebera R$10 milhões no exterior como pagamento de serviços prestados à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2002, e o depoimento do caseiro Francenildo Costa, que teve o sigilo bancário quebrado depois de desmentir o ex-ministro Antonio Palocci, são outras imagens que os aliados de Alckmin querem ver no horário eleitoral.

¿ Só devemos evitar as baixarias. Mas devemos usar as imagens de depoimentos à CPI, do caseiro, de Duda Mendonça, do sujeito com dólar na cueca e do funcionário dos Correios que recebeu propina ¿ sugeriu o vice na chapa de Alckmin, senador José Jorge (PFL-PE).

O comando da campanha, sensível às críticas, deverá impor uma mudança. Hoje o presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), tem reunião com Gonzalez, em São Paulo. A idéia é usar as inserções ao longo do dia para produzir as peças mais fortes. Uma preocupação é evitar ataques que possam permitir que a Justiça conceda direito de resposta ao adversário.

¿ Em época de eleição, cada deputado e cada senador vira diretor de TV em potencial. É igual à Copa, quando 180 milhões de brasileiros transformam-se em técnicos. Vamos seguir a linha estabelecida por especialistas no assunto ¿ disse.

O presidente do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC), contou que, antes de incluir novidades no programa de Alckmin, Gonzalez tem feito testes:

¿ Não pode ser uma escolha apenas por intuição. Gonzalez está no caminho certo.

Cesar: programa está melhor

Crítico dos programas de Alckmin, o prefeito do Rio, Cesar Maia, admitiu ontem pela primeira vez uma melhora com a inclusão de críticas ao governo Lula. Embora concorde com o uso de um locutor para atacar, ele argumentou que só o texto não gera tanto impacto como boas imagens.

Em Mariana, no velório do arcebispo dom Luciano Mendes de Almeida, o presidente Lula e o governador de Minas, Aécio Neves (PSDB), estiveram lado a lado. Alckmin cancelou a ida a Mariana. O candidato petista ao governo de Minas, Nilmário Miranda, fora na véspera.

Perguntado sobre as pesquisas que indicam a reeleição de Lula, Aécio disse que vai trabalhar ¿com toda a disposição¿ para tentar levar Alckmin ao segundo turno.

¿ Ainda faltam 30 dias de campanha. Vamos trabalhar com disposição. Se Alckmin chegar ao segundo turno, aí é outra eleição ¿ disse Aécio.

Em outra frente, o coordenador da campanha de Alckmin, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE), está visitando estados nordestinos. Diante do corpo mole de vários aliados, Guerra decidiu cobrar engajamento. Ontem senadores ligados à campanha de Alckmin estiveram na Bahia para acertar detalhes de um grande evento que promete ser um dos maiores da campanha, em Salvador, no próximo dia 11, reunindo 500 prefeitos nordestinos, metade deles baianos.

COLABORARAM Cristiane Jungblut e Heliana Frazão