Título: Cristovam adotará tom mais agressivo
Autor: Maria Lima
Fonte: O Globo, 01/09/2006, O País, p. 3

BRASÍLIA. Com pouco mais de 1% das intenções de voto nas pesquisas, o candidato do PDT a presidente, senador Cristovam Buarque (DF), decidiu adotar um tom mais agressivo na campanha, para criticar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e seu governo. Nesta reta final, continuará defendendo a educação, mas detalhará suas propostas em outras áreas, além de reforçar a presença em grandes capitais.

Ontem, no intervalo entre gravações de programas para a propaganda eleitoral, Cristovam convocou entrevista coletiva para acusar que as eleições estão sendo compradas com dinheiro público.

¿ Estou revoltado porque temos um mês de campanha e já tratam a eleição como decidida. O governo está fazendo gestos demagógicos para ganhar votos, como se comprasse as eleições antecipadamente com dinheiro público ¿ disse Cristovam, antecipando o tom dos seus novos programas eleitorais. ¿ Para isso, o governo adiou diversos benefícios para o último ano de mandato, como o aumento dos servidores, antecipação de salário para idosos e a expansão do Bolsa Família. Eu tenho a sensação de que estamos vivendo um golpe: dar posse ao presidente antes da eleição estar concluída. É só ver o que eles estão fazendo. O Planalto já discute até quais serão os novos ministros.

O senador afirmou ainda que mesmo os tucanos vivem o clima de eleições já resolvidas:

¿ O PSDB já pensa e discute as próximas eleições, daqui a quatro anos. Ainda temos um mês de campanha.

Além de endurecer o discurso, o PDT também vai mudar a apresentação de suas propostas no rádio e na TV. A equipe de campanha avalia que Cristovam não pode abandonar a principal bandeira de sua campanha, a educação, mas reconhece que as propostas nessa área não foram suficientes para conquistar o eleitor e fazer a campanha deslanchar.

Cristovam vai insistir que a solução dos principais problemas do país passa por investimentos em educação, mas dará enfoque também a programas em outras áreas, especialmente geração de emprego, investimentos em tecnologia, segurança e combate à corrupção. Na semana que vem ele apresentará um programa com 30 propostas de governo, intitulado ¿Como fazer¿.

¿ Vamos mostrar que é possível avançar em todas as áreas. O Brasil não pode continuar sendo um país que exporta somente soja e ferro. Vou mostrar como é possível mudar, com a criação de centros tecnológicos, por exemplo. Tenho certeza de que posso crescer nas pesquisas ¿ disse o candidato.

(*) Da CBN, especial para o GLOBO