Título: Com 80 metros de comprimento, túnel já se aproximava do Banrisul
Autor: Chico de Oliveira
Fonte: O Globo, 02/09/2006, O País, p. 4

Escavação passa sob uma das mais movimentadas ruas da cidade

PORTO ALEGRE. O túnel aberto pela quadrilha em Porto Alegre para atingir os cofres da sede do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e da agência central da Caixa Econômica Federal vinha sendo escavado desde o início de julho e já media 80 metros de comprimento. Estava a apenas 20 metros dos cofres subterrâneos do Banrisul e já havia alcançado uma das extremidades do prédio sede do banco. O túnel cortou um ponto central da capital gaúcha, passando sob a Rua Siqueira Campos, uma das mais movimentadas da cidade.

O prédio comprado pelos criminosos, e de onde eles iniciaram as escavações, fica na esquina da Avenida Mauá, que separa a cidade do cais do porto, com a Rua Caldas Júnior, onde estão o Banrisul e a CEF. A entrada do túnel é quadrada, com os lados tendo cerca de 70 centímetros. Dentro, chegava a ter um metro de altura por 70 centímetros de largura, mas as dimensões variavam.

Segundo a Polícia Federal, o túnel está todo protegido por madeira para evitar desmoronamentos. A engenharia, segundo o superintendente da Polícia Federal no Rio Grande do Sul, delegado José Francisco Mallmann, era muito boa.

¿ Um trabalho muito profissional. Foram encontrados no local diversos equipamentos de proteção individual como capacetes, luvas, botas de borracha e lanternas de cabeça ¿ revelou um policial que participou das operações.

No ponto em que se encontrava, o túnel deveria começar a baixar mais, para encontrar o cofre central da sede do Banrisul, que está cinco metros abaixo do nível do solo. A Polícia Federal suspeita que, ao mesmo tempo em que se iniciaria o ramal do túnel em direção ao Banrisul, a obra fosse ter continuidade em direção ao edifício-sede da agência central da Caixa Econômica Federal, menos de cem metros adiante.

Terra retirada era ensacada e empilhada num salão

O túnel foi escavado cuidadosamente, sem fazer barulho. Eram utilizadas pás para a retirada da terra, que era ensacada. Os sacos eram empilhados no salão térreo do edifício, formando uma série de paredes. Como o prédio estava vazio e a área era muito grande, não faltava espaço e, como a terra não saía, não atraía a atenção de pessoas que passassem pelo local.

A ventilação era precária e mecânica, mas funcionou bem ao longo de toda a obra. Policiais explicam que era feita por uma espécie de fole, semelhante aos utilizados para ativar o fogo em lareiras. Dois dos presos passavam todo o tempo pressionando o fole com os pés, para levar o ar aos companheiros que cavavam o túnel. A idéia era automatizar o processo com equipamentos profissionais movidos a eletricidade mas, como o prédio estava abandonado e apresentava problemas, os criminosos não tinham conseguido ativar a entrada de luz elétrica. As escavações eram feitas nas 24 horas do dia, num trabalho ininterrupto.