Título: CRÍTICAS PARA ATINGIR CANDIDATA SÉRIA¿
Autor: Alan Gripp
Fonte: O Globo, 02/09/2006, O País, p. 20

Marido de Jandira afirma que curso similar no exterior custa US$20 mil

Há dois anos, o Sindicato Nacional dos Oficiais da Marinha Mercante (Sindmar) comprou o 14º andar do prédio 309 da Avenida Presidente Vargas, que tem 400 metros quadrados e está avaliado em R$450 mil, para instalar ali o Centro de Simulação Aquaviária (CSA). Segundo o presidente da instituição, Severino Almeida Filho, marido da deputada Jandira Feghali, a idéia era qualificar no Brasil profissionais do ramo marítimo para vivenciar situações adversas só enfrentadas em alto mar. Para viabilizar o projeto, o Sindmar propôs parceria à Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Para ele, o motivo para o questionamento do projeto é eleitoral, ¿para atingir uma candidata séria¿.

¿ O sindicato, sozinho, não poderia arcar com o projeto. Acertamos com a universidade que ela compraria os equipamentos e nós arcaríamos com a montagem. Convencemos a UFRJ de que aqui poderei preparar profissionais que vão receber salários de, no mínimo, R$8 mil. Até então, uma empresa pagava 20 mil dólares para um profissional fazer esse curso fora. A UFRJ apresentou o projeto ao Ministério de Ciência e Tecnologia e Jandira buscou recursos através de emendas ¿ explicou ele.

De acordo com Almeida, quem idealizou o CSA ¿ ¿o mais moderno do mundo¿ ¿ foi o sindicato, com ajuda de Marcos Machado da Silveira, da Navsoft Consultoria e Serviços LTDA., representante no Brasil da empresa americana Transas Marine, que vendeu os simuladores sem ter participado de licitação.

Segundo Almeida, Silveira, consultor do projeto, formado na mesma turma que ele, foi responsável pela articulação, mas não teria sido beneficiado:

¿ O trabalho de Marcos é como oficial, é de nos assessorar tecnicamente. Não há contrato da Navsoft com a UFRJ. A Navsoft não pegou um centavo. Marcos até poderia ter comissão, mas nem isso teve.

Consultor diz que negociou valores e descontos

Trabalhando numa das 12 salas que compreendem o projeto, Silveira explicou, emocionado, que negociou valores e até conseguiu descontos:

¿ O que fiz como representante, e por ser projeto que envolve universidade e verba do governo, foi tirar o lado comercial da Navsoft para poder viabilizar o projeto. Se eu levo em conta a comissão, isso não teria se tornado realidade. Negociei com a Transas, consegui descontos e mostrei que ter isso instalado abriria portas para outros mercados. Fui um facilitador, só isso, por conhecer a empresa.

Prestes a ser inaugurado, o projeto recebeu, na primeira etapa, R$2,5 milhões em investimentos, e mais R$1,350 milhão este ano, segundo o presidente, mas ainda não está finalizado. Por ter arcado com montagem e manutenção, o sindicato informou que já gastou de seu orçamento mais de R$800 mil, incluindo o imóvel.