Título: Delcídio dá lugar a financiador da campanha
Autor: Chico De Gois
Fonte: O Globo, 03/09/2006, O País, p. 17
Suplente fez apenas um pronunciamento na tribuna do Senado
BRASÍLIA. Alçado à condição de superstar quando presidiu a CPI dos Correios, Delcídio Amaral (PT-MS) deixou o mandato em 23 de maio para se dedicar à campanha ao governo do Estado. Em que pese seu esforço concentrado, Delcídio deve naufragar ainda no primeiro turno. Em seu lugar, assumiu por três meses o empresário Antonio João (PTB), dono de empresas de comunicação no estado e um dos financiadores da campanha de Delcídio ao Senado, que doou R$122 mil ao petista.
O suplente não tem brilhado como o titular. Desde maio, fez apenas um pronunciamento da tribuna do Senado. Entrevista, nenhuma. Salário, integral.
¿ Licenciei-me para me dedicar exclusivamente à campanha porque não acho correto assinar presença e sair à rua atrás de voto ¿ disse Delcídio, que tergiversou sobre seu financiador: ¿ Não lembro se ele contribuiu com minha campanha.
Outro que deu lugar a um de seus financiadores ¿ e sócio ¿ foi Teotônio Vilela Filho (PSDB-AL). João Tenório (PSDB), seu suplente, nunca foi político, mas é usineiro e sócio de Teotônio na Sococo, empresa que financiou sua campanha. É a segunda vez que Tenório substitui Teotônio. A primeira foi entre novembro de 2003 e maio de 2004. Desde abril no Senado, o empresário demonstrou que gosta de falar. Fez 28 discursos. Mas 90% foram em alusão a reportagens publicadas. A exceção foi sua defesa ¿para o fortalecimento da indústria sucroalcooleira¿, da qual ele é um dos expoentes.
¿ Ninguém dá conta de fazer campanha e se dedicar às atividades do Senado ¿ afirmou Teotônio, que disputa o governo de Alagoas.
Caso de Gilvam beira o nepotismo
O caso de Gilvam Borges não envolve financiamento de campanha. Mas beira o nepotismo. Ele deixou em seu lugar desde o início de agosto seu irmão, Geovani Borges. Gilvam assumiu o mandato em 2005, após João Capiberibe (PSB) ser afastado por causa de uma denúncia de compra de votos feita pelo próprio Gilvam. Seu irmão, pelo menos por enquanto, pronunciou-se apenas uma vez, na posse.
Com chances de ser eleito governador da Paraíba, José Maranhão (PMDB) abriu espaço para o empresário Roberto Cavalcanti (PRB), dono de emissoras de rádio, TV e jornal no estado. Maranhão, que tem mais quatro anos de mandato de senador, ficará afastado até novembro. Enquanto isso, Cavalcanti vai treinando. Já fez sete discursos. Um deles, em solidariedade a Magno Malta (PL-ES), acusado de envolvimento com a máfia dos sanguessugas. Outro em homenagem a um desembargador de seu estado.
A suplente mais conhecida é a substituta de Maguito Vilela (PMDB-GO), que concorre com chances de vencer a eleição ao governo de Goiás. Ele deixou na vaga a ex-deputada Íris de Araújo (PMDB-GO), mulher do prefeito de Goiânia, Íris Rezende (PMDB). Desde 2003, ela já assumiu três vezes a vaga do titular. Em 2005 permaneceu de maio a dezembro e, neste ano, voltou em maio, liberando Maguito para a campanha. (C. G.)
http://www.oglobo.com.br/pais/eleicoes2006