Título: IMPROVISOS VETADOS NA CAMPANHA PETISTA
Autor: Isabel Braga
Fonte: O Globo, 05/09/2006, O País, p. 8
Assessores redobram atenção para manter Lula longe de polêmica
BRASÍLIA. O marketing da campanha de reeleição do presidente Lula decidiu redobrar os cuidados com discursos e improvisos do candidato. A ordem é evitar o salto alto e disfarçar a autoconfiança de Lula. A grande dificuldade é controlar o presidente, que ainda não cometeu grandes erros, mas pode estar perto disso, avaliou um assessor.
O publicitário João Santana já teria manifestado ao próprio Lula a preocupação com os improvisos. O núcleo mais próximo do presidente ficou em alerta semana passada, com sua afirmação, num evento oficial, de que somente ¿fatores extraterrestres¿ vão impedi-lo de cumprir compromissos de governo. Outra falha teria sido o encontro, no Planalto, com José Genoino, que deixou o comando do PT no escândalo do valerioduto, fato explorado pela oposição.
Outra recomendação é a de evitar polêmicas ou brigas, como o recente ataque de Lula a José Serra, candidato tucano ao governo paulista.
¿ Há muito voto casado no Serra e no Lula em São Paulo. A ordem é evitar brigas ¿ explicou um integrante da campanha.
A postura se reflete nos programas de TV. Por enquanto, a decisão é de que Lula não vá para o enfrentamento com o tucano Geraldo Alckmin. Pesquisas medem os efeitos dos recentes ataques feitos pelo candidato do PSDB na televisão. Até o momento, disse um integrante da campanha, as pesquisas indicam que os ataques não surtiram efeito.
Essas pesquisas qualitativas também indicam que Lula deve manter a campanha propositiva e não ceder ao apelo belicista, como desejam alguns petistas. Numa recente reunião, ganhou a tese de que Lula não deve ser pautado por uma estratégia de quem está em desvantagem. Até o momento, tem surtido efeito a ¿vacina¿ usada no início de cada programa do PT, com o aviso de que a campanha não tratará de baixarias. O presidente continuará apresentando só propostas.
Internamente, a campanha da reeleição do presidente Fernando Henrique Cardoso, em 1998, é cada vez mais citada como modelo. Entre as recomendações para esfriar a campanha estão o veto à participação em debates, evitar ao máximo as entrevistas e selecionar palanques e comícios.