Título: DESEMPENHO DE TUCANO FRUSTRA CÚPULA, QUE ESPERAVA CRESCIMENTO
Autor: Lydia Medeiros
Fonte: O Globo, 06/09/2006, O País, p. 13

'A próxima pesquisa é importante', diz coordenador da campanha

BRASÍLIA. Tucanos e pefelistas tentaram disfarçar a frustração com o resultado da pesquisa do Datafolha divulgada ontem à noite, na qual o presidente Luiz Inácio Lula da Silva subiu mais um ponto percentual e chegou a 51%, enquanto o candidato tucano Geraldo Alckmin permaneceu com 27% das intenções de votos. Ao longo do dia eles alimentaram a expectativa de novo crescimento do tucano, como ocorrera sexta-feira na pesquisa Ibope.

- Não houve alteração. Isso não nos desanima. A próxima pesquisa, sim, é que será importante. Continuo acreditando no segundo turno - disse o coordenador-geral da campanha tucana, senador Sérgio Guerra (PSDB-PE).

- O segundo turno ocorrerá e teremos motivação nesta reta final - acrescentou o presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen (SC).

Antes do resultado do Datafolha, a cúpula do PSDB e a do PFL acertaram a estratégia para essa reta final, que deverá privilegiar eventos nos três principais colégios eleitorais do país: São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. A avaliação é de que mesmo que o presidente Lula mantenha vantagem de dez pontos percentuais em relação à soma dos demais candidatos, a eleição ainda tem chance de ser decidida só no segundo turno. Isso por causa dos votos nulos e das abstenções.

O presidente do PSDB, senador Tasso Jereissati (CE), e Bornhausen fecharam acordo que permitirá, por exemplo, que Alckmin não precise mais se dividir entre os dois palanques que tem no Rio.

No Rio, Denise e Paes estarão juntos com Alckmin

Tanto o candidato tucano ao governo, Eduardo Paes, como a deputada Denise Frossard (PPS), que entrou na disputa com o apoio do prefeito pefelista Cesar Maia, deverão ter a chance de acompanhar juntos a programação de Alckmin no estado.

- A idéia é dar novo ritmo à campanha de Alckmin no Rio a partir do entrosamento de seus dois aliados no estado, o que será feito sob a nossa coordenação - explicou Tasso.

Alckmin foi orientado a reforçar sua campanha em São Paulo, onde sua vantagem em relação ao presidente Lula voltou a crescer. Mas tem que crescer mais para motivar aliados nos demais estados. Todos reconhecem, contudo, o efeito devastador que os ataques do crime organizado tiveram na campanha de Alckmin.

- O efeito dos ataques foi perverso e nefasto - admitiu o líder do PFL no Senado, Agripino Maia (RN).