Título: INDÚSTRIA VOLTA A CRESCER, MAS EM RITMO FRACO
Autor: Cássia Almeida
Fonte: O Globo, 06/09/2006, Economia, p. 32
Avanço na produção foi de 0,6%, ficando no nível de dezembro, diz IBGE. CNI registra recuo nas vendas de 0,6% no ano
RIO e BRASÍLIA A produção industrial subiu pouco em julho. Depois da queda de 1,3% em junho, o setor produziu mais 0,6% no mês passado, informou ontem o IBGE. Esse ligeiro avanço não foi suficiente para a indústria brasileira produzir mais do que em dezembro. O setor continua no mesmo nível do fim de 2005 - o maior patamar de produção foi registrado em maio último. No ano, a produção subiu 2,7% e, nos últimos 12 meses, a alta está em 2,2%. Na comparação com julho de 2005, a taxa foi de 3,2%.
Segundo o IBGE, o câmbio valorizado tem efeito negativo em alguns setores da indústria, mas não é o único fator a explicar o crescimento moderado da produção.
- A indústria brasileira está estável com um suave crescimento, de acordo com os indicadores de tendência - afirmou Silvio Sales, coordenador de Indústria do IBGE.
Extração de minério sobe 11,8%; já calçados caem 8,2%
A extração de petróleo, que ficou parada em junho por conta das paralisações técnicas das plataformas, foi um dos principais impactos positivos no setor. A alta foi de 5,2%. Com sinal positivo aparecem ainda metalurgia e veículos.
Na comparação com julho do ano passado, os bens de capital (máquinas e equipamentos) foi a categoria que mais cresceu. Este ramo da indústria é importante por aumentar a capacidade produtiva do país. A alta de 8,4% foi mais concentrada em setores de fora da indústria, como para energia elétrica e para construção civil. Já os bens duráveis (automóveis e eletrodomésticos) tiveram a menor taxa: 1,2%:
- A importação desses bens, mesmo pequena, está dobrando. Isso indica que possa haver alguma substituição de produto nacional por importado no varejo - disse Sales.
Segundo Alexandre Maia, economista-chefe da GAP Asset, há um comportamento desigual na indústria:
- Há expansão muito heterogênea na indústria. Enquanto setores como extração de minério cresce a ritmo chinês (11,8% em 12 meses), a indústria de calçados cai 8,2% no mesmo período.
Nas vendas, desempenho também fraco. Pelos dados divulgados ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o faturamento acumulado este ano foi 0,68% inferior ao dos sete primeiros meses de 2005. No entanto, o emprego continua em expansão no setor. A entidade culpou a valorização do real pelo recuo nas vendas reais. Em julho, houve alta de 0,94% frente a junho. Contra o mesmo mês de 2005, a expansão foi de 2,69%. O total do pessoal ocupado na indústria cresceu pelo sétimo mês consecutivo, em ritmo considerado forte pela CNI. A alta foi de 0,40% frente a junho e 2,01% contra o mesmo mês do ano passado. No ano, a expansão é de 1,52%. O número de horas trabalhadas também cresceu: 1,20% na comparação com junho.
Mesmo com o setor em expansão moderada, o ministro das Relações Institucionais, Tarso Genro, negou ontem que o governo vá rever para baixo a previsão de crescimento de 4% do PIB em 2006:
- Não há qualquer reavaliação, e o governo está se empenhando com medidas mais fortes para alcançar os 4%.
INCLUI QUADRO: A ATIVIDADE INDUSTRIAL MORNA [A EVOLUÇÃO MÊS A MÊS]