Título: UM ANO DEPOIS, SENSAÇÃO DE IMPUNIDADE
Autor: GABRIEL F. PADILLA
Fonte: O Globo, 07/09/2006, Rio, p. 20
Processo por homicídio doloso foi rebaixado para culposo
Um ano depois de perder o pai num acidente de carro na Avenida Vieira Souto, em Ipanema, a família de Cezar Mazzei Moniz cultiva, além da saudade, a sensação de impunidade. Diferentemente do caso de domingo, o responsável pelo acidente que matou o aposentado Cláudio Mazzei Moniz, de 78 anos, era um desconhecido. O estudante Ioannis Papareskos, de 23 anos, que perdeu o controle de sua Nissan Frontier e atingiu o carro do aposentado, foi acusado pelo Ministério Público de homicídio doloso (intencional), mas, por determinação da Justiça, hoje responde apenas por homicídio culposo (não intencional). Como pena alternativa para o jovem, a família espera que ele ajude o Corpo de Bombeiros no salvamento de pessoas acidentadas.
¿ Ainda aguardamos a decisão da Justiça. A primeira audiência do processo criminal será no próximo dia 14. Como não acredito que seja preso, acho que o Ioannis precisa aprender a fazer o que se recusou naquela manhã da morte do meu pai, que é ajudar pessoas feridas em acidentes de trânsito ¿ diz Cezar.
A imagem do engenheiro tentando retirar o corpo do pai das ferragens ganhou as páginas dos jornais. O carro do aposentado estava estacionado quando foi atingido pelo veículo de Ioannis, que tinha passado a noite numa boate. Na época, ele chegou a ser preso por homicídio doloso, já que ficou comprovado que estava acima da velocidade permitida, de 70km/h.
¿ Depois de um ano, o que nós temos até o momento é silêncio e desprezo. Nunca recebemos um pedido de desculpas desse rapaz nem de seus parentes. Os jovens se acham imortais, principalmente os que podem pagar um bom advogado, porque nada acontece com eles. Mas eles se esquecem que, às vezes, podem ser implacáveis com eles mesmos ¿ afirma outro filho de Cláudio, Maurício.