Título: INCENTIVO A DEMISSÕES NA VOLKS
Autor: Ronaldo D'Ercole e Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 12/09/2006, Economia, p. 23

Empresa propõe desligamento voluntário no ABC paulista, para viabilizar corte de 3.600

Depois de mais uma dura rodada de negociação com o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC paulista, que avançou o feriado e só terminou no domingo, a Volkswagen concordou em adotar um programa de demissão voluntária (PDV) para viabilizar o corte de 3.600 empregados da sua maior fábrica no país, a Anchieta, em São Bernardo do Campo, no ABC. A nova proposta da montadora foi apresentada ontem pelo sindicato aos empregados, que em uma nova assembléia, marcada para quinta-feira, decidirão se aceitam, ou não, as suas condições.

Em troca da aprovação do seu pacote pelos funcionários, a Volkswagen concorda em suspender as 1.800 demissões anunciadas em 21 de agosto e se compromete a trazer para a fábrica do ABC dois novos modelos, que serão fabricados no Brasil a partir de 2008. A fábrica produz atualmente os modelos Polo, Saveiro, Gol, Kombi e o Fox exportado para a Europa.

Das demissões puras e simples ¿ apenas com as indenizações trabalhistas ¿ pretendidas inicialmente, a montadora oferece agora planos voluntários para o desligamento de pessoal, pelos quais os trabalhadores receberão até 1,4 salário por ano trabalhado. Esse benefício vale para quem aderir ao PDV até 21 de novembro, quando vence o acordo de estabilidade no emprego naquela fábrica. O percentual irá diminuindo nas etapas seguintes.

BNDES pode rever bloqueio do empréstimo de quase meio bilhão

A montadora não quis comentar a mudança de posição, por considerar o processo de negociação ainda em andamento. Na assembléia de ontem, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, José Lopez Feijóo, apenas expôs aos trabalhadores da fábrica os termos da proposta negociada com a montadora, sem tomar posição.

Ontem pela manhã, antes ainda de levar as propostas à assembléia com os empregados, Feijóo recebeu o apoio dos prefeitos de sete cidades da região do ABC paulista.

¿ Temos certeza de que o sindicato está representando os trabalhadores da melhor maneira possível e nos colocamos à disposição para ajudar na busca de soluções para o impasse ¿ disse o prefeito de São Bernardo do Campo, William Dib (PSB).

O presidente do BNDES, Demian Fiocca, admitiu ontem a possibilidade de rever o bloqueio de financiamento no valor de R$479 milhões para a Volks, dependendo do resultado do novo acordo fechado entre a montadora e o sindicato. Mas frisou que ainda espera uma resposta oficial da empresa.

¿ Quando solicitamos mais detalhes à empresa sobre o risco de fechamento da fábrica, ela nos respondeu que isso dependeria da negociação com os sindicalistas. Não vou me adiantar, pois há um procedimento técnico. A empresa tem de responder, e o banco tem de analisar ¿ afirmou Fiocca.

Trabalhadores da GM ameaçam entrar em greve por reajuste

O empréstimo havia sido bloqueado depois de a montadora falar no fechamento da unidade em São Bernardo do Campo, onde seria investida parte dos R$479 milhões. A princípio, os recursos seriam utilizados para a modernização das fábricas e na produção de modelos mais atualizados. Ao ser informado sobre o novo acordo, Fiocca disse que isso ¿joga a favor da manutenção de um plano de investimentos¿.

Trabalhadores da fábrica da General Motors (GM) de São José dos Campos, no interior paulista, ameaçam entrar em greve a partir de hoje caso não consigam um reajuste salarial. Os 9.500 funcionários da montadora têm data-base neste mês, e o sindicato local pede 13,8% de reajuste, o que representaria algo próximo de 10% de aumento real. A empresa ofereceu 4,3%, sendo 1,3% de aumento real. Está marcada para a manhã de hoje nova reunião entre os representantes do Sindicato dos Metalúrgicos e os da GM.

¿ Amanhã (hoje) é o prazo que a GM tem. Se não houver o reajuste que os trabalhadores querem, vamos ter de partir para a greve ¿ afirmou o diretor do sindicato, Vivaldo Moreira.

Recentemente, a montadora negociou com os trabalhadores a redução de 900 postos de trabalho na fábrica, que produz os modelos Corsa, Meriva, Zafira e S10. Cerca de 450 funcionários entraram em um programa de demissão voluntária. Um grupo aceitou transferência para outras unidades e outro está em lay-off (afastamento temporário).