Título: PF É ACUSADA PELO MP DE VAZAR INFORMAÇÃO
Autor: Jailton de Carvalho
Fonte: O Globo, 13/09/2006, O País, p. 11
Procurador denuncia policiais por vazamento de informações a diretor do Senado envolvido na Operação Mão-de-Obra
BRASÍLIA. O procurador da República Luciano Rolim acusou ontem policiais federais de vazar informações para o diretor do Senado, Agaciel Maia, investigado pela Operação Mão-de-Obra. Maia é suspeito de envolvimento com empresários acusados de fraudar licitações no Senado e em mais cinco órgãos públicos. Segundo reportagem divulgada ontem pelo "Jornal Nacional", da TV Globo, o procurador vai enviar um ofício ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, cobrando explicações sobre o crime.
Suspeito acompanhou apreensão de documentos
Segundo o Ministério Público, a PF avisou o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), que faria uma operação de busca na Casa. Renan teria indicado o próprio Agaciel Maia para receber os agentes da PF.
- Essa pessoa (Agaciel Maia) foi favorecida indevidamente, até porque teve conhecimento de que no dia seguinte (o da Operação Mão-de-Obra) seria realizada uma busca em sua sala de trabalho - afirmou Rolim, em entrevista ao "JN".
Ao GLOBO, o procurador disse ontem que a PF deixou de apreender contratos de licitação do Senado e que os documentos só foram entregues no dia seguinte da operação por um servidor da Casa. Na sala de Agaciel Maia, segundo o procurador, a PF só teria apreendido um laptop e cópia de dois DVDs.
A ação foi deflagrada na manhã de 26 de julho. Foram apreendidos documentos e computadores no Senado, no Ministério da Justiça e na Agência Brasileira de Inteligência (Abin).
Na madrugada do mesmo dia, antes de fazer as buscas no Senado, o superintendente da PF em Pernambuco, delegado Bergson Toledo Silva, coordenador da operação, avisou a Renan sobre a incursão da polícia no Congresso. Durante a conversa, Renan indicou Agaciel Maia para acompanhar a apreensão de computadores e documentos.
Depois das buscas, os computadores foram submetidos a perícia. Segundo Rolim, as memórias de alguns computadores, que poderiam conter importantes informações para a investigação, foram apagadas. A partir de então, o procurador começou a trabalhar com a hipótese de vazamento de informações e destruição de provas de uma investigação criminal.
O procurador pediu informações à PF. O diretor-executivo da instituição, Zulmar Pimentel, respondeu que é praxe da polícia acertar previamente com chefes de órgãos e instituições a execução de algumas ações policiais dentro da administração pública.
Luciano Rolim considerou as explicações insuficientes e decidiu pedir ao ministro da Justiça que o caso seja devidamente investigado. Na primeira etapa da operação, a PF prendeu o funcionário da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Geraldo Luiz Ferreira dos Santos, três empresários e dois empregados acusados de fraudar licitações. A PF apreendeu grande quantidade de documentos nos ministérios da Justiça, Minas e Energia, Ciência e Tecnologia, Transportes, Abin e no Senado. Também foram apreendidos papéis, dólares e euros nas sedes das empresas Conservo, Brasília Informática e Ipanema.
Empresário é apontado como chefe do esquema
Segundo a PF, o esquema era chefiado por Vitor Cugula, dono da Conservo. A polícia suspeita de fraudes em pelo menos 15 contratos assinados entre essas empresas e os órgãos que tiveram documentos apreendidos. Ainda não sabe o valor desviado pela organização.
Segundo a PF, dirigentes da Conservo, Brasília Informática e Ipanema subornavam funcionários públicos em troca de informações privilegiadas. A partir de então, combinavam preços e os vencedores das licitações fraudadas. Os empresários também são acusados de pagar comissão a colegas de pelo menos quatro empresas de pequeno porte para ajudar na simulação das concorrências.