Título: DE ASSESSORIA ESPECIAL A CABIDE DE EMPREGOS
Autor: Isabel Braga
Fonte: O Globo, 14/09/2006, O País, p. 12

Ex-ministro recebeu R$8.500 por 2 anos ao deixar o cargo

Criados no início da década passada para reforçar o quadro de assessores especializados nos órgãos técnicos, lideranças e comissões da Câmara, sem concurso, os cargos de natureza especial (CNEs) se transformaram em cabide de empregos e abrigo para funcionários-fantasmas. A função foi desvirtuada por lideranças e membros da Mesa para abrigar de servidores no estado a dirigentes partidários, e reforçar o salário de funcionários efetivos da Câmara, muitos atuando fora da Casa. Há duas semanas o presidente da Câmara, Aldo Rebelo (PCdoB-SP), demitiu duas fantasmas contratadas pelos CNEs.

Uma delas, Bernadete Vidal Firmino dos Santos, trabalhava na campanha do ex-presidente da Câmara Severino Cavalcanti, que concorre a novo mandato. A outra, Maria Eduarda Gordilho Lomanto, filha do ex-deputado Leur Lomanto, estava cedida à segunda vice-presidência da Casa, comandada por Ciro Nogueira (PP-PI), mas, segundo funcionários, nunca apareceu.

O ex-ministro da Ciência e Tecnologia Roberto Amaral foi agraciado com um CNE 7, o mais alto, com salário de R$8.500, quando perdeu a vaga no Ministério. Nesses dois anos o então dirigente do PSB ¿exerceu atividade de assessoramento nas áreas de ciência e tecnologia e ciência política¿, segundo a liderança. Pediu exoneração em junho deste ano para concorrer à vaga de suplente de senador pelo partido no Rio de Janeiro.

Stael Alencar, dirigente do PSB, acumula dois salários

Para melhorar o salário de outra dirigente do PSB, Stael Cavalcanti Alencar, o então líder Eduardo Campos deu a ela um CNE 7. Funcionária efetiva da Câmara, ela acumula os dois vencimentos, e ninguém sabia informar ontem onde ela está lotada. Até julho, Stael dirigia a Fundação João Mangabeira, que informa que ela não mais trabalha lá. Também não trabalha na liderança. ¿Stael Cavalcanti Alencar é funcionária efetiva da Câmara e exerce função comissionada na liderança do PSB, onde atua nas relações entre a bancada federal socialista e os diretórios estaduais do partido¿, diz a nota da liderança.

Já o vice na chapa de Anthony Garotinho na disputa presidencial de 2002, José Antonio Almeida, que atua como advogado, ganhou da liderança do PSB um CNE 7, que somado às horas extras e sessões noturnas, rendia salário de R$10 mil. Usufruiu do CNE de 2003 até junho deste ano, quando saiu para disputar uma vaga de deputado pelo Maranhão. Ele admite que nesse período fez uma pós-graduação e sua atividade principal era como advogado, assessor jurídico do partido.

¿ Montei escritório em Brasília e prestava assessoria para a direção do partido ¿ disse José Antonio, que é da executiva do PSB e dirigente do PSB-MA.