Título: ADVOGADO-GERAL CRITICA PROCURADORES
Autor: Bernardo de la Peña e Carolina Brígido
Fonte: O Globo, 14/09/2006, O País, p. 17

Representante do Senado diz que atuação do MP foi leviana e temerária

BRASÍLIA. O advogado-geral do Senado, Alberto Cascais, informou ontem que pretende entrar no Conselho Nacional do Ministério Público com representação contra os procuradores da República Luciano Rolim e José Alfredo de Paula e Silva, que consideraram irregular o vazamento de informações da operação da Polícia Federal no Senado, onde cumpriram mandados de busca e apreensão.

Cascais defendeu a ação da Polícia Federal e o diretor-geral da Casa, Agaciel Maia. A sala de Agaciel foi um dos alvos da busca. Cascais classificou a atuação dos procuradores como leviana, temerária e irresponsável.

Embora os procuradores digam que o diretor do Senado está sob investigação, Cascais insistiu em dizer que Agaciel não está sendo investigado no inquérito que apura fraude em licitação para contratação de funcionários terceirizados no Senado, na Abin e em outros três ministérios.

Cascais disse que estuda entrar com ação civil por danos morais em nome de Agaciel. O advogado do Senado disse ainda que pode interpelar judicialmente os procuradores para que expliquem porque citaram Agaciel.

Cascais ofereceu à PF as fitas dos circuitos internos de segurança do Senado para que possa ser apurado se alguém esteve lá durante a madrugada para retirar documentos. Além do gabinete de Agaciel, segundo Cascais, a polícia fez apreensões apenas na sala da Secretaria de Compras. Ele defendeu o presidente da Casa, Renan Calheiros:

¿ A determinação do presidente foi de prestar toda assistência. Ele não sabia o que estava sob investigação.

Agaciel disse ter tomado conhecimento da operação por volta de 1h da madrugada e negou ter apagado informações dos computadores. Explicou que não foi indiciado pela PF e contou que o presidente do Senado telefonou para informar que, no dia seguinte, ele seria procurado por um delegado da PF, sem dizer do que se tratava. Ele negou ter estado no Congresso durante a madrugada.

¿ O presidente Renan só me disse que era para receber o delegado fulano. Cheguei por volta das 7h30m. Eles já estavam me esperando desde as 6h, uns 15 policias que me indicaram quais salas eram citadas no mandado. Entraram comigo na minha sala e me pediram para abrir as gavetas. Não tinha como eu ter chegado antes. Isso é mentira. E ninguém apaga computador, isso a polícia recupera ¿ afirmou Agaciel.

Os procuradores se queixam que os documentos foram encaminhados por Dimitrios Hadjinicolaou, outro funcionário do Congresso sob suspeita. Agaciel disse ainda que prestou depoimento na PF, no dia 8 de agosto, na condição de testemunha. E protestou por estar sendo colocado sob suspeita. (Bernardo de la Peña).