Título: Ritmo intenso tira o sono de HH e provoca cansaço
Autor: Raquel Miura
Fonte: O Globo, 17/09/2006, O País, p. 9

Candidata do PSOL reclama de sobrecarga de trabalho

BRASÍLIA. Com uma campanha de escassos recursos, pouco tempo de TV e uma militância ainda incipiente, a candidata do PSOL à Presidência, Heloísa Helena, vai precisar de muito fôlego nas duas semanas que antecedem as eleições. A senadora já dá mostras de que terminará a campanha no limite da exaustão e tem reclamado a assessores de que dorme pouco. Para parlamentares do PSOL, mais do que a falta de dinheiro do partido, ela está sobrecarregada por causa de seu gênio forte e de seu estilo centralizador.

¿ Alguns integrantes e militantes do PSOL, que têm mais recursos, dispuseram-se a acompanhá-la nas viagens. Mas ela não aceita ¿ conta um parlamentar do PSOL, que prefere não se identificar por temer uma bronca da candidata.

¿ Sou o general do Exército, a lavadeira e a cozinheira¿

Como fica hospedada em casa de simpatizantes, ela tem de conversar com os anfitriões e, no avião, ao invés de dormir, acaba sempre tendo de dar atenção aos demais passageiros. Em Brasília, dispensa o motorista e dirige o próprio carro e, ao contrário de muitos parlamentares, é ela que prepara os discursos que faz na tribuna.

Com a campanha, o ritmo de trabalho aumentou mas, segundo funcionários de seu gabinete ela aceita pouca ajuda. Coisa rara: dias atrás ela reclamou que estava sobrecarregada:

¿ Eu sou o general do Exército, a lavadeira e a cozinheira. Eu mesma faço o que vou ler e gravar para o horário político.

Ela é firme nas suas convicções, costuma reconhecer quando está equivocada, mas não imediatamente. Políticos do PSOL contam que tentaram convencê-la de que a palavra ¿empregadinho¿, dita por ela para se referir a ministros, poderia gerar interpretações duvidosas e levantar críticas. Ela só começou a mudar de opinião quando a mídia destacou o caso.

Ao ser questionada por jornalistas sobre assuntos polêmicos como aborto e redução da maioridade penal, a candidata deixou claro: ¿só eu no partido respondo a essas perguntas¿.

¿ Ela é uma passional dialética que se derrama em afeto mas também em ira santa. O bom é que, em geral, a irritação fica entre amigos. É um jeito de desabafar, tamanha a pressão que sofre ¿ pondera o deputado Chico Alencar (PSOL-RJ).

Para a deputada Maria José Maninha (PSOL-DF), a alteração de humor da candidata se deve à tensão da campanha e ao fato de que ela é uma mulher, com estilo próprio e discurso duro contra os adversários. Já a deputada Luciana Genro (PSOL-RS) acredita que o terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto se deve ao jeito controlador de Heloísa Helena e que a falta de dinheiro não permite uma campanha diferente.

* Da CBN, especial para O GLOBO