Título: AFILHADO DE ACM CRIA UM JEITO LIGHT DE SER CARLISTA
Autor: Maiá Menezes
Fonte: O Globo, 17/09/2006, O País, p. 22

Governador, candidato à reeleição, admite estilo mais moderado, já apelidado de `soutismo¿

Um jeito mais light de fazer política está aos poucos mudando o ¿carlismo¿ na Bahia. Candidato à reeleição, o governador Paulo Souto (PFL), que aparece com 50% das intenções de voto na última pesquisa Ibope, é afilhado político do senador Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), mas com nova marca. O estilo, uma derivação moderada do perfil belicoso de ACM, ganhou apelido ¿ é o ¿soutismo¿.

¿ O "carlismo" não é mais o mesmo. O Paulo Souto é mais maleável. Já demonstrou sua autonomia. Deixou de ser um pau mandado ¿ resume Antônio Guerreiro, professor de história da Bahia na UFBA.

O candidato a vice-presidente na chapa do ex-governador Geraldo Alckmin, senador José Jorge (PFL-PE), concorda:

¿ O Paulo Souto não é aquele político maria vai com as outras ¿ diz o senador para os prefeitos reunidos em ato pró-Alckmin, na última segunda-feira, em Salvador.

O senador Antônio Carlos afirma que seu mérito foi escolher os melhores aliados:

¿ Somos um grupo de iguais. Existe o ¿carlismo¿ e o ¿soutismo¿. Eu acabei ficando com o título, mas todos dividem os méritos.

O governador reconhece que tem uma postura mais conciliadora do que seus aliados. Ele nega antagonismos com o presidente Lula e se apresenta como um homem de diálogo. Reafirma, no entanto, fidelidade a seu grupo político:

¿ Tenho um jeito diferente. Nunca alimentei antagonismos com o presidente ¿ afirmou o governador, que defende a manutenção dos programas sociais do governo Lula.

Para o professor Paulo Fábio Dantas Neto, do Departamento de Ciência Política da UFBA, o governador é expressão maior do que ele chama de ¿carlismo pós-carlista¿. A maneira de se relacionar verticalmente com os políticos locais é a mesma, mas o poder, segundo ele, não está mais concentrado nas mãos do senador. Ele afirma que o "carlismo¿ viveu o ápice no governo Fernando Henrique Cardoso e começou a declinar com a morte do então deputado federal Luiz Eduardo Magalhães, em 1998.

Por trás do perfil conciliador de Paulo Souto pode estar a matemática do voto: 68% dos eleitores que consideram a gestão do governador ótima ou boa votariam em Lula, se as eleições fossem hoje. Apenas 18% desses eleitores votariam em Alckmin.

O candidato do PT ao governo do estado, Jacques Wagner, que aparece com 26% das intenções de voto na última pesquisa Ibope, ainda não pegou carona no desempenho de Lula na Bahia. Mas mantém o presidente como foco central de sua campanha.

¿ O Paulo (Souto) tenta passar a imagem de que é diferente. Mas é diferente na sombra do cara. É aquilo: ¿Eu não preciso morder porque tem quem morda por mim¿.

Da costela de ACM saíram os adversários que hoje ameaçam a eleição de um outro pupilo seu. Os ex-deputados João Durval Carneiro (PDT) e Antônio Imbassahy (PFL) disputam, em empate técnico, o primeiro lugar na corrida rumo ao Senado. O senador Rodolfo Tourinho, com o número de ACM, aguarda, no terceiro lugar, pela reeleição, considera como certa pelo senador.

¿ Eu garanto, e me cobrem depois, que meu candidato ao Senado vai vencer ¿ diz o senador pefelista.

Na última pesquisa Ibope, João Durval ¿ pai do prefeito de Salvador, João Henrique (PDT) ¿ aparece com 29%, seguido por Imbassahy, com 24%, e por Rodolfo Tourinho, com 16%. (M.M.)