Título: OBRAS DO PAN JÁ CUSTAM R$239 MILHÕES A MAIS
Autor: Luiz Ernesto Magalhães
Fonte: O Globo, 17/09/2006, Rio, p. 27

Dinheiro seria suficiente para erguer condomínio com 1.480 apartamentos iguais aos que hospedarão atletas

A União, o estado e a prefeitura terão que gastar pelo menos R$239,8 milhões a mais do que planejavam inicialmente para concluir as instalações esportivas dos Jogos Pan-Americanos de 2007. Os custos das obras sob responsabilidade direta das três esferas, como o Estádio Olímpico João Havelange (Engenhão), o Parque Esportivo do Autódromo, e os complexos de Deodoro e do Maracanã, chegavam até a sexta-feira passada a R$712,1 milhões contra um custo inicial de R$472,3 milhões (a conta não inclui o velódromo, ainda em licitação), segundo levantamento do GLOBO.

Imprevistos durante a realização das obras, que em sua maioria começaram sem projetos, e custos subestimados, explicam os estouros nos orçamentos. O valor é quase idêntico ao que a construtora Agenco calcula gastar (R$240 milhões) para concluir os 1.480 apartamentos da Vila Pan-Americana (incluindo a compra do terreno) na Avenida Ayrton Senna, na Barra, um condomínio que será cedido para hospedar os atletas durante o evento.

Alguns gastos ainda estão sendo orçados

O custo exato das obras do Pan ainda é desconhecido. Isso porque os gastos com instalações provisórias para os jogos em áreas como a Cidade do Rock e o Morro do Outeiro ainda estão sendo orçados.

Por enquanto, o aumento de custos é maior nos canteiros de obras da prefeitura. Responsável também pela maioria das instalações, o município já se comprometeu em gastos acima dos previstos de R$ 141,1 milhões por conta de aditivos nos contratos e obras adicionais (como a remoção de uma adutora da Cedae no Engenhão). Com isso, o orçamento passou de R$368,3 milhões para R$509,4 milhões.

O secretário especial do Pan, Ruy Cézar, justifica os aumentos de gastos afirmando que a prefeitura teve que rever os projetos após o Rio vencer em 2002 a disputa para sede dos jogos.

¿ Um ano depois da confirmação do Pan, disputamos o direito de ser a sede dos Jogos Olímpicos de 2012. Os equipamentos precisaram ser redimensionados para atender a essa realidade. Agora, somos candidatos às Olimpíadas de 2016. Um dos trunfos da nossa candidatura será termos essas instalações prontas desde o Pan ¿ disse o secretário.

Estádio olímpico vai custar mais R$111,2 milhões

Apenas com o Estádio Olímpico, onde serão realizadas as provas de atletismo e parte do futebol, os custos adicionais chegam a R$112,2 milhões.

A situação não é diferente no Autódromo, cujas obras começaram apenas em março, com um ano de atraso, depois que o consórcio que ganhara a concessão do espaço e faria a obra sem ônus para a prefeitura desistiu do negócio. A exemplo do Engenhão, os projetos do Parque Aquático e da arena poliesportiva só foram detalhadas com as obras em andamento e somente então foi possível saber com precisão a quantidade de material necessário, incluindo iluminação e equipamentos do circuito interno de TV. Nos últimos 15 dias, a prefeitura autorizou quase R$30 milhões em aditivos.

Já nas obras sob responsabilidade do estado apenas o Parque Aquático Júlio de Lamare respeitou o orçamento original. Os orçamentos para a conclusão da modernização do Maracanã, do Maracanãzinho e a dragagem da Lagoa Rodrigo de Freitas também tiveram que ser revistos.

¿ Alguns projetos foram adaptados durante as obras. No Maracanãzinho (sede do vôlei), além de ter sido necessário um reforço estrutural, tínhamos planejado instalar um outro sistema de ar-condicionado. Mas tivemos que investir num equipamento mais caro para atender exigências do Comitê Organizador (CO-Rio) de que a temperatura ambiente tem que ser mantida sempre em 24 graus ¿ exemplificou o presidente da Suderj, Sérgio Emilião.