Título: APÓS ESTATIZAÇÃO NA BOLÍVIA, FUNDO PEDE CAPITAL PRIVADO
Autor: Gilberto Scofield Jr.
Fonte: O Globo, 17/09/2006, Economia, p. 43
Países latinos precisam de novos investimentos para crescer mais
CINGAPURA. Dois dias depois de o ministro dos Hidrocarbonetos da Bolívia, Andrés Soliz Rada, ter renunciado em meio ao polêmico projeto de transferir para a estatal boliviana YPFB o monopólio da venda de combustíveis, o diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do FMI, Anoop Singh, afirmou ontem que se os países latinos quiserem aumentar suas taxas de crescimento para os padrões de países asiáticos, precisam aumentar os investimentos do setor privado na economia (considerado mais eficiente que o público), além de focar os gastos públicos em ações que reduzam a pobreza e diminuam as desigualdades.
Singh observou que a América Latina está se beneficiando da alta nos preços das matérias-primas no mercado internacional, especialmente petróleo e derivados, mas ainda há vulnerabilidade por toda a região, com o endividamento total do setor público perigosamente alto, por volta de 50% do PIB dos países, em média.
¿ A vulnerabilidade permanece, apesar da forte redução do endividamento em dólar. O momento é de focar os gastos públicos, que aumentaram em toda a região, em investimentos mais eficientes e produtivos. Por exemplo, é preciso mais estabilidade regulatória para o investimento privado no setor energético, ainda um foco de problemas na região ¿ disse ele, sem citar países.
Anoop Singh diz que a América Latina atravessa um período de eleições sem grandes problemas macroeconômicos e com crescimento. Esta ¿oportunidade histórica¿ deve ser aproveitada para melhorar as políticas fiscais e a redução do endividamento. O FMI aumentou a perspectiva de crescimento econômico da América Latina para 4,75%, este ano, e 4,2% ano que vem.
¿ O Brasil está crescendo e, ao mesmo tempo, reduzindo desigualdades. É o melhor projeto de desenvolvimento ¿ disse.
Segundo o Fundo, a América Latina reduziu o seu endividamento em dólar de médias históricas de 25% do PIB para 16% do PIB hoje e prováveis 15% do PIB no próximo ano.
EUA dizem que vigilância ao terror deverá aumentar
O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, por sua vez, pediu aos ministros de Fazenda e presidentes de bancos centrais do G-7 (grupo de sete países mais ricos) que reforcem suas ações de fiscalização e controle do sistema bancário de seus países contra operações que financiem o terror. Segundo ele, o sistema financeiro internacional deve agir contra empresas e bancos que lavam dinheiro para financiar ações terroristas:
¿ Precisamos estar vigilantes para identificar pessoas e empresas que se infiltram no sistema. (Gilberto Scofield Jr., enviado especial).