Título: Importações continuam crescendo em ritmo maior que o das exportações
Autor: Aguinaldo Novo
Fonte: O Globo, 19/09/2006, Economia, p. 33

Saldo comercial no mês de setembro está positivo em US$2,1 bi

BRASÍLIA. O crescimento das importações continua em um ritmo maior que o aumento das exportações. Em setembro, até a terceira semana, o Brasil comprou US$4,025 bilhões de outros países, valor 33,8% superior ao mesmo período do ano passado, segundo o Ministério do Desenvolvimento. Já os embarques chegaram a US$6,129 bilhões, 21% mais que no mesmo mês de 2005. O saldo do mês já chega a US$2,104 bilhões. Na semana passada, as vendas ao exterior somaram US$3,119 bilhões e as importações atingiram US$1,836 bilhão.

No ano, o cenário se repete. As compras realizadas pelo Brasil chegam a US$62,561 bilhões, 23,7% mais que no mesmo período de 2005. Já as exportações, que totalizam até o momento US$94,293 bilhões, tiveram acréscimo de 15,8% sobre igual período do ano passado. O superávit comercial deste ano já está em US$31,732 bilhões, US$740 milhões - ou 2,39% - mais do que o registrado no mesmo período de 2005.

Celulose e açúcar puxaram as vendas externas

Cresceram as compras de cobres (121,7% sobre setembro de 2005), aeronaves e partes (112,5%), cereais (108,5%) e produtos farmacêuticos (64,3%). Já o aumento das exportações foi impulsionado pela venda de semimanufaturados, como celulose, açúcar, couro e óleo de soja.

Mesmo com o aumento das importações, já há entidades que esperam superávit recorde neste ano. De acordo com análise do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi), se for mantido o ritmo de setembro, mesmo com o aumento das importações, o saldo comercial brasileiro do ano deverá superar os US$45 bilhões.

"Mantido o desempenho desse mês, o superávit seria da ordem de US$46,9 bilhões. O resultado final deverá ficar entre esses dois valores, acima da expectativa média de mercado, que é de US$43 bilhões, e muito provavelmente acima também do superávit do ano passado, que alcançou US$44,8 bilhões", diz o documento.