Título: Crivella, em queda, admite ser difícil alterar quadro
Autor: Fellipe Awi
Fonte: O Globo, 22/09/2006, O País, p. 19

Senador diz que Denise o passou devido ao tempo na TV

Pela primeira vez, o candidato do PRB ao governo do estado, Marcelo Crivella, mostrou-se preocupado com o futuro de sua candidatura. Depois de perder o segundo lugar na última pesquisa do Datafolha para Denise Frossard (PPS), o senador disse que terá dificuldades para reverter o quadro. Para ele, o maior problema é o tempo escasso que tem na TV (36 segundos) para tentar convencer os indecisos. Faltam apenas três programas.

- O número de indecisos aumentou. O tempo de TV conta muito nessa hora e terei dificuldades porque só tenho 30 segundos. É difícil ampliar o número de eleitores assim. E decidimos enfrentar o risco de disputar com poucas alianças. Só resta intensificar o corpo-a-corpo - afirmou, dizendo ainda ter esperança de chegar ao segundo turno.

Crivella disse que também o tempo de TV explica o crescimento de Frossard nas pesquisas, já que ela dispõe de três minutos e 18 segundos. Segundo ele, porém, a questão mais importante é a ênfase do discurso da candidata na questão da segurança pública, que classificou de "de direita".

"Não creio nessa política neoliberal da Denise"

Segundo ele, Frossard "tem uma mensagem muito forte na questão da segurança e as pessoas vivem inseguras":

- Não tenho a mensagem de combater a violência que tem a direita, como aumentar presídios, rever Código Penal e aumentar repressão somente. Minha política é de ampliação de empregos e desconcentração de renda. Se formos mais violentos, vamos voltar ao tempo de Tiradentes. Não creio nessa política neoliberal da Denise, do PFL e do PSDB.

Mesmo com essas divergências, Crivella confirmou que apoiaria Frossard num segundo turno contra Sérgio Cabral, do PMDB. Ele lembrou que, antes do início da campanha, se reuniu com Frossard, Vladimir Palmeira (PT), Eduardo Paes (PSDB), entre outros, e todos se comprometeram a apoiar quem continuasse na disputa contra o peemedebista.

- Temos mais chances de sentar e alinhavar um projeto com Denise - disse.

Vladimir Palmeira negou que haja um pacto para apoiar quem estiver no segundo turno. Segundo ele, houve uma conversa antes da campanha em que todos se mostraram adversários do "garotismo".

- Crivella jogou a toalha, viu que sua candidatura é inviável. Eu ainda vou para o segundo turno - disse o petista.