Título: EM NOTA, EX-MINISTRO DIZ VER COMPLÔ
Autor: Carolina Brígido
Fonte: O Globo, 26/09/2006, O País, p. 9

RECIFE. Bastante abatido, o ex-ministro Humberto Costa fez ontem duas carreatas na região metropolitana de Recife e, à noite, divulgou uma nota questionando a decisão do procurador Gustavo Pessanha Velloso de denunciá-lo. Ele diz estranhar o fato de a denúncia ter sido oferecida à véspera da eleição.

O ex-ministro é o candidato do PT ao governo pernambucano e está empatado nas pesquisas com o ex-ministro da Ciência e Tecnologia Eduardo Campos (PSB), ambos têm 26% das intenções de voto, segundo a última pesquisa do Ibope. Um dos dois deverá enfrentar o governador José Mendonça Filho (PFL), candidato à reeleição.

Na nota, Costa denuncia um complô contra sua candidatura e a do presidente Lula. Também reclama do fato de a petição apresentada na semana passada por onze deputados integrantes de partidos de sua coligação não ter sido levada em conta pelo procurador. No documento, os parlamentares alegavam que a máfia dos vampiros já atuava na gestão do tucano José Serra no ministério, com ramificações no governo de Pernambuco.

Na nota, a coligação de Costa afirma que ele não perdeu a calma com a denúncia: "Ele está sereno e confiante de que vai poder provar na Justiça que não tem nada a ver com o caso. Como ele frisou diversas vezes, já esperava a denúncia, pois é uma praxe do Ministério Público acompanhar indiciamento feitos pela Polícia Federal".

A nota conclui: "Mesmo com a consciência tranquila, Humberto se mostra indignado e questiona o procedimento do procurador Gustavo Pessanha, que usou dois pesos e duas medidas nesse caso".

Costa alegou no documento enviado anteriormente aos procuradores que impediu a criação da Companhia de Produção de Hemoderivados, que daria prejuízos ao governo federal, e tentou implantar a Hemobrás, com um perfil diferente do pretendido na gestão anterior. A petição sugere que sejam investigados lobistas e empresários envolvidos na máfia, que teriam ligações com os tucanos.

Entre estes encontram-se Laerte Correa, dono da MMV Assessoria, Consultoria e Participações Ltda, a quem Costa atribuiu seu indiciamento no inquérito feito pela PF, que terminou na denúncia oferecida ontem pelo procurador. Segundo Costa, Laerte é lobista e teve seus interesses contrariados quando ele foi ministro.