Título: OPOSIÇÃO PEDE QUEBRA DE SIGILO TELEFÔNICO DE FREUD
Autor: Maria Lima/Raquel Miura/Chico de Gois
Fonte: O Globo, 27/09/2006, O País, p. 9
Objetivo de PSDB e PFL é tentar atingir Lula, pela proximidade do ex-segurança que virou assessor especial
BRASÍLIA. A oposição abriu ontem uma nova frente de ataque contra o presidente Luiz Inácio Lula a Silva, ao pedir a quebra de sigilo telefônico de Freud Godoy, ex-assessor especial do presidente. Ao mirar em Freud, a intenção dos partidários de PSDB e PFL é atingir Lula diretamente, uma vez que o ex-assessor seria uma das pessoas mais próximas ao presidente envolvidas na tentativa de compra do dossiê contra os tucanos.
Freud, cuja empresa de segurança presta serviço para o comitê do petista, além de trabalhar no diretório nacional do PT, também era responsável pela segurança da primeira-dama, Marisa Letícia, e trabalhava com Lula há mais de 20 anos.
Ontem, no momento em que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio de Mello, recebia o novo coordenador da campanha de reeleição de Lula, Marco Aurélio Garcia, o presidente do PSDB, Tasso Jereissati, e o advogado José Eduardo Alckmin protocolavam uma representação no TSE. Nela, pedem a quebra do sigilo telefônico do presidente do PT, Ricardo Berzoini, do policial aposentado Gedimar Passos, do empresário Valdebran Padilha e de Freud Godoy.
Mais ações da oposição no TSE
José Eduardo Alckmin confirmou que o objetivo da ação é investigar a eventual ligação de Freud com as pessoas diretamente envolvidas no caso, e conseqüentemente, do presidente Lula com o episódio. Ele lembrou que, inicialmente, Gedimar Passos, uma das duas pessoas que estavam com o dinheiro que compraria o dossiê, citou o nome de Freud.
- Freud nega que tenha tido ligação com outros envolvidos diretamente na compra do dossiê. Precisamos ver se isso é verdade e até que ponto essas pessoas próximas a Lula atuaram no caso - disse.
Hoje, a oposição vai entrar com outra representação no TSE pedindo a quebra do sigilo de Expedito Afonso Veloso. O objetivo é ver se há conexão com o Banco do Brasil, onde Expedito era diretor de Gestão até o estouro da crise dos dossiês.
Jereissati disse que a oposição quer apurar se há relação do Palácio do Planalto e de Lula no episódio.
- Se ficar provado o envolvimento dele (Freud) com essas pessoas, fica também provado o envolvimento do presidente e do Planalto na negociação do dossiê - disse Tasso.
O coordenador da campanha de Lula, Marco Aurélio Garcia, disse que a representação é inócua.
- Não vemos autoridade moral do Tasso para lançar qualquer tipo de sombra sobre a eleição. Isso faz parte de uma guerra de nervos, de perdedores para, como outras pessoas disseram antes, melar a eleição - reagiu Marco Aurélio.
INCLUI QUADRO: SAIBA QUEM É QUEM NO CASO [RICARDO BERZOINI, JORGE LORENZETTI, EXPEDITO AFONSO VELOSO, HAMILTON LACERDA, FREUD GODOY, GEDIMAR PEREIRA PASSOS, OSVALDO BARGAS, VALDEBRAN CARLOS PADILHA