Título: GARCIA VAI AO TSE PEDIR GARANTIAS PARA ELEIÇÃO
Autor: Maria Lima/Isabel Braga
Fonte: O Globo, 27/09/2006, O País, p. 10

Coordenador da campanha petista encontra Marco Aurélio de Mello no dia em que oposição aperta o cerco contra Lula e PT

BRASÍLIA. No dia em que a oposição apertou o cerco, tentando ampliar na Justiça Eleitoral a investigação sobre o envolvimento do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT no escândalo do dossiê contra tucanos, o coordenador da campanha da reeleição, Marco Aurélio Garcia, foi ao encontro do presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio de Mello, pedir que o tribunal garanta o resultado da eleição. Evitando críticas ao TSE, Garcia disse que os julgamentos são legítimos, mas que a expectativa é que a eleição não seja judicializada.

Lula tem dez dias, a partir da notificação de todos os envolvidos - o que não havia ocorrido até ontem - para apresentar sua defesa ao TSE. Após encontro com Marco Aurélio de Mello, o coordenador da campanha petista disse que foi transmitir o apreço do PT e de Lula à instituição, mas deu o recado:

- Nós consideramos que o TSE é uma instituição legítima, imparcial, respeitável. As questões sobre tempo estão sendo discutidas no tribunal. Não queremos politizar o TSE, mas tampouco queremos judicializar as eleições presidenciais. As eleições são um momento privilegiado na história de um país, quando o povo soberanamente é único, efetivamente detentor da soberania e elege seus dirigentes. E esperamos que o TSE, como tem feito historicamente, garanta da melhor maneira o resultado dessas eleições. Estamos seguros de que vai fazer - disse Garcia.

Encontro com Tasso e Bornhausen no saguão

Um encontro inesperado ocorreu no saguão de entrada do TSE. Quando os presidentes do PSDB, Tasso Jereissati, e do PFL, Jorge Bornhausen, saíam do elevador, cruzaram com Marco Aurélio Garcia, que chegava ao tribunal. Todos mostraram surpresa e o clima foi de constrangimento, mas se cumprimentaram com sorrisos e apertos de mãos.

Ao receber ontem novos pedidos da oposição de quebra de sigilo telefônico dos envolvidos na operação dossiê, o presidente do TSE Marco Aurélio disse que o resultado da investigação pode sim levar à impugnação da eventual eleição do presidente Lula, se for confirmada sua participação no escândalo do dossiê ou interferência na atuação da Policia Federal.

Logo após a saída do coordenador da campanha de Lula, o presidente do TSE fez questão de rechaçar que o país esteja sendo alvo de um golpe da oposição contra a reeleição do presidente. Disse que não há clima de golpe, tão freqüente no discurso de Lula e seus seguidores nos últimos dias.

- De forma alguma. As instituições estão funcionando e no estágio atual não há como se pensar numa tergiversação, se pensar em algo que discrepe da ordem jurídica em vigor - disse Marco Aurélio de Mello.

Depois de protagonizar um bate-boca com o presidente do TSE, que declarou ser o caso do dossiê mais grave que o caso Watergate, Marco Aurélio Garcia disse que a reunião não teve como objetivo desfazer o mal-estar. Ele disse que sua resposta à declaração foi amplificada pela imprensa, mas que o xará já tinha vindo a público minimizar o episódio.

- Não vim fazer as pazes porque não brigamos. Não há arestas a apagar - disse Garcia.

Se recebeu e conversou de forma amigável com seu xará petista, Marco Aurélio, ao contrário, não voltou atrás em sua opinião. Indagado se mantinha, depois da conversa, a comparação que fez entre o caso do dossiê contra os tucanos comprado por petistas e o caso Watergate, que derrubou o presidente americano Richard Nixon, o presidente do TSE disse que sim.

- Mantenho, não considerado o dossiê, o acontecimento retratado no dossiê, mas um pouco do que tivemos até aqui, a partir do mensalão - reafirmou Marco Aurélio de Mello.

O presidente do TSE definiu a conversa com o coordenador da campanha do PT como pacífica e que recebeu Garcia sem qualquer idéia preconcebida, pois conversou com o intelectual. E que não tocaram na investigação eleitoral que o TSE está fazendo sobre o dossiê contra os tucanos.

- Falamos sobre eleições em geral e o ambiente até certo ponto pacífico. Ele manifestou preocupação com a perda de tempo pelo candidato Lula.

Rigor excessivo em relação ao candidato-presidente

Na conversa, Garcia falou sobre a perda de 40 minutos da propaganda eleitoral de Lula, principalmente pelo que no tribunal considerou invasão do horário de outros candidatos para promoção da campanha do presidente. Garcia sinalizou que poderia estar havendo um rigor muito grande em relação ao candidato-presidente e fez um apelo para que nos julgamentos pendentes isso seja considerado.

O coordenador de Lula chegou a pensar em cancelar o encontro com o presidente do TSE, marcado para o final do dia, para acompanhar Lula no comício que o presidente fez ontem à noite em Belo Horizonte. Mas acabou optando pela visita de cortesia ao TSE.

Sobre as pesquisas divulgadas ontem, ele disse que todos estão preparados para dois turnos, mas que a vitória de Lula pode vir já no primeiro.

- Estamos preparados para dois turnos, mas temos convicção, pelo movimento do eleitorado, de que podemos vencer no primeiro turno - disse Marco Aurélio Garcia.

Não queremos politizar o TSE, mas tampouco queremos judicializar as eleições presidenciais. As eleições são um momento privilegiado na história de um país.

MARCO AURÉLIO GARCIA

Falamos sobre eleições em geral e o ambiente até certo ponto pacífico. Ele manifestou preocupação com a perda de tempo pelo candidato Lula

MARCO AURÉLIO DE MELLO