Título: Reformas da economia mais distantes
Autor: Ronaldo D'Ercole
Fonte: O Globo, 27/09/2006, Economia, p. 25

Na avaliação de especialistas, o ambiente de negócios no Brasil piorou desde o ano passado, principalmente devido ao aumento dos gastos públicos e à crise política, que torna mais difícil a aprovação de reformas econômicas e de melhorias institucionais. A economista Luciana de Sá, da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), lembra que a reforma tributária, importante para desonerar o setor produtivo, será mais difícil frente ao avanço dos gastos públicos, que aumentam a necessidade de arrecadar:

- As empresas estão sufocadas (com os impostos) e muitas são empurradas para a informalidade. Os gastos subiram da pior forma, na sua parcela mais permanente, que é o salário mínimo, o reajuste dos aposentados e o aumento do funcionalismo. Com a crise política, que já leva mais de um ano, as questões regulatórias estão paradas. A reforma trabalhista também não ganha a devida relevância - diz.

Fábio Fonseca, professor do Ibmec, destaca que o Estado, no Brasil, é "obeso e ineficiente", mantendo uma das maiores cargas tributárias do mundo e não cumprindo adequadamente seu papel nas políticas mais fundamentais, de segurança, saúde pública e educação. Fonseca diz que o Estado perdeu a capacidade de investir. Mas o setor privado, por sua vez, não encontra um ambiente adequado:

- O Estado arrecada um caminhão de dinheiro, presta um péssimo serviço à sociedade e ainda produz déficit - resume. (Luciana Rodrigues)