Título: BNDES PREVÊ QUEDA DA POBREZA A UM TERÇO
Autor: Luciana Rodrigues
Fonte: O Globo, 29/09/2006, Economia, p. 35

Economista do Banco diz que o resultado será possível com manutenção de políticas atuais

A pobreza no Brasil será reduzida em dois terços até 2015, caso seja mantida a queda média registrada em 2004 e 2005, quando 3,3 milhões de pessoas saíram desta situação no país. A previsão, do economista Antonio Prado do BNDES, foi divulgada ontem no 14º boletim "Visão do Desenvolvimento", cujo tema foi "A queda da desigualdade e da pobreza no Brasil".

- Se forem mantidas as políticas públicas atuais e o nível do salário mínimo, que subiu 97% entre 1995 e 2006, podemos alcançar este cenário. Isso aconteceria justamente quando se encerra o prazo-limite para que sejam atingidas as Metas do Milênio da Organização das Nações Unidas (ONU), entre elas a redução da pobreza e da miséria à metade - explicou o economista.

Prado ressaltou, ainda, a importância do salário mínimo para melhorar as condições sociais no país. Segundo o economista, no caso do Brasil, o salário mínimo tem duas funções: além de reduzir a desigualdade de renda daqueles que estão empregados, ele também é um importante instrumento para combater a pobreza dos que estão excluídos do mercado de trabalho:

- A elevação do salário mínimo nos últimos anos, de 97%, sendo que metade desse aumento ocorreu nos oito anos do governo Fernando Henrique e a outra metade, no governo Lula, tem sido fundamental para reduzir tanto a desigualdade quanto a pobreza no país.

País está vivendo momento incomum em sua História

Na opinião de Prado, o Brasil está vivendo um "fenômeno incomum" no que diz respeito à redução da desigualdade e da pobreza. Segundo ele, de 2001 a 2005 os 20% mais pobres tiveram um aumento real da renda de 23,96%, enquanto a média dos rendimentos subiu 2,75% no mesmo período. O avanços "sugerem que os resultados de 2006 serão ainda melhores", diz o estudo.