Título: ECONOMIA PRODUZIU R$ 987 BI NO 1º SEMESTRE
Autor: Luciana Rodrigues
Fonte: O Globo, 29/09/2006, Economia, p. 35

Taxa de investimento subiu para 20,5% do PIB. Segundo IBGE, com avanço do consumo, poupança interna caiu

O Produto Interno Bruto (PIB, conjunto das riquezas produzidas pelo país) somou R$987,1 bilhões no primeiro semestre deste ano, informou ontem o IBGE. Como o crescimento da economia nesse período foi pequeno - 2,2%, conforme o instituto já havia divulgado - e houve um avanço do consumo, a taxa de poupança do país recuou, para 22,7% do PIB. E a taxa de investimento, que mostra o quanto empresas, famílias e governo destinaram para aumentar a capacidade produtiva do país, teve leve expansão: ficou em 20,5%, contra 19,9% no primeiro semestre do ano passado.

Foi a maior taxa de investimento, para os seis primeiros meses do ano, desde 1995. No segundo trimestre, também houve expansão nos investimentos, que ficaram em 20,1%, contra 19,9% no mesmo período de 2005. Mas, segundo analistas, essa expansão foi pequena e reflete um aumento nos preços de máquinas e equipamentos. Maria Laura Muanis, técnica do IBGE, também atribui essa alta nos investimentos à queda dos juros e a uma maior oferta de crédito para empresas.

Para UFRJ, preços explicam alta dos investimentos

Porém, para Armando Castelar, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), não existe nenhuma tendência de recuperação dos investimentos. Os números variam ligeiramente a cada semestre, mas se mantêm num patamar que, segundo Castelar, só permite um crescimento econômico baixo, da ordem de 3% ao ano. Ontem, o Banco Central reduziu sua projeção para o crescimento do PIB este ano para 3,5%, e muitos analistas já prevêem alta de apenas 3%.

- O ambiente não é favorável ao investimento privado e o setor público investe muito pouco - afirma o economista.

Ele lembra que, na década de 70, o governo investia o equivalente a 4% do PIB. Há dez anos, esse patamar recuou para 3% do PIB. E hoje é de 2% do PIB:

- O investimento público é em infra-estrutura e estimula o investimento privado. Mas o governo gasta muito e investe pouco, escolheu uma política de baixo crescimento econômico.

O economista Rafael Barroso, do Grupo de Conjuntura da UFRJ, acredita que a expansão da taxa de investimento no último semestre pode ser explicada por um aumento de preços. Com máquinas e equipamentos mais caros, o peso dos investimentos no PIB aumenta.

- Historicamente, os preços de máquinas e equipamentos sobem mais que a média. Isso ocorre porque a economia brasileira é muito fechada e porque o custo do investimento no Brasil é alto - afirma.

Mas Barroso prevê melhoras no terceiro trimestre. A partir de dados da produção industrial de julho, ele calcula que o volume de investimentos da economia cresceu 11,5% frente a junho.

Taxa de poupança foi de 23,2% no segundo trimestre

O IBGE também constatou uma queda na taxa de poupança, que foi de 23,2% no segundo trimestre no pior desempenho para esse período do ano, desde 2003. A explicação para esse recuo está no avanço do consumo. Como os gastos das famílias cresceram mais do que a renda disponível na economia, sobraram menos recursos para a poupança. No segundo trimestre, frente ao mesmo período de 2005, o PIB cresceu 1,2%, e o consumo das famílias, 4%.

A economia brasileira produziu, no segundo trimestre, um excedente de recursos de R$3,1 bilhões - essa foi a chamada capacidade de financiamento, ou seja, quantia que foi enviada do Brasil para o exterior. Houve uma redução nessa cifra, que era de R$5,9 bilhões no segundo trimestre de 2005, devido principalmente à queda no saldo comercial do Brasil. Com as exportações perdendo fôlego e as importações crescendo, diminuiu o excedente disponível.